sábado, 30 de abril de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Prazeres da vida


Quatro de março de 2007 foi o dia em que eu parei, pensei e disse pra mim mesmo: bem-vindo à vida adulta. Não que eu tenha “virado” adulto neste dia. Foi bem antes disso, eu acho. Ou depois? Bom, o fato é que, naquele dia, eu me dei conta do tal rito de passagem.


A situação foi a seguinte. Poucos dias antes, eu havia fechado o contrato de aluguel do apartamento onde moro até hoje. Não havia nada nele. Mas, naquele domingo, o prazer de abrir uma porta e perceber que, pela primeira vez na vida, eu tinha um lugar para chamar de meu – só meu! – já enchia toda a sala e o quarto espaçosos, o banheiro sem box, a pequena cozinha e o corredorzinho que se pode chamar de área de serviço. Ali, quase cinco anos depois de deixar a casa da mãe, eu começava a morar sozinho.


Para não dizer que não havia nadinha em minha casa, ela estava lá. Justamente ela, a personagem principal da história. Uma TV Toshiba, 20 polegadas, de tubo. Novinha! Tinha acabado de chegar. Era tudo que eu precisava. Foi só colocá-la sobre a própria caixa, conectá-la a um cabo de antena coletiva do prédio, estender um lençol diante dela para que eu pudesse confortavelmente deitar no chão e ligá-la, me sentindo a pessoa mais independente do mundo. Estava para começar mais um Palmeiras e Corinthians.


Nenhum dos dois rivais podia contar muita vantagem sobre o outro naquele Paulistão. Aquele que ganhasse o dérbi, teria dias mais tranquilos. Quem perdesse, viveria um pequeno inferno aos olhos da torcida e da imprensa, praticamente dizendo adeus às chances de classificação. O Palmeiras vinha embalado por uma vitória sobre o São Caetano fora de casa. Falei sobre este jogo na minha estreia neste blog, um texto que você pode ler aqui. Valdivia começava a se firmar como ídolo da torcida, mas o grande nome do time comandado por Caio Júnior ainda era Edmundo. E, naquela tarde, mais uma vez ele mostraria por quê.


A situação ruim das equipes ficou evidente na escalação defensiva que os dois treinadores levaram a campo. O jogo começou travado em um meio-campo povoado de volantes. Mas, aos 17 minutos, a categoria falou mais alto. A defesa corintiana afastou o cruzamento da direita, Valdivia ganhou o rebote e deixou para Martinez. Misturando técnica e sorte, o volante palmeirense deixou quatro adversários para trás, invadiu a área e devolveu ao Mago. O que veio a seguir é poesia.


Como se colocasse com as mãos, Valdivia fez a bola chegar macia no peito de Edmundo. Ele a chamou de “meu amor” e sem deixá-la cair, arrematou. Fuzilou. Lindo gol! Palmeiras 1, Corinthians 0. O primeiro de incontáveis gritos que dei através da janela do MEU apartamento!





Na comemoração, amparado por Leandro, Pierre e Alemão (descanse em paz!), o Animal pedia o grito da torcida palestrina. Em minoria no estádio (o mando era do Corinthians), os alviverdes responderam. Empurraram o time, querendo mais. E foram atendidos. Vinte minutos depois, Valdivia pegou a bola no meio-campo. De costas para o campo de ataque, o chileno tinha dois jogadores na marcação. Com um giro malandro, ele se livrou de ambos e arrancou em direção ao gol. Pela esquerda, Edmundo pedia. Pela direita, Osmar. Fominha, Valdivia arriscou o chute. A defesa corintiana cortou, mas a bola sobrou para Edmundo, que bateu cruzado. Osmar evitou que a bola fosse para fora e, de canela, ampliou. Dois a zero.


O Palmeiras seguiu melhor. Pressionou até o fim do primeiro tempo. Sem trégua. Nem parecia um clássico. Na saída para o intervalo, Edmundo contava o segredo da vitória até então: o entrosamento com o Mago.


Apesar dos fatos tristes do jogo – Alemão, do Palmeiras, e Nilmar, do Corinthians, torceram violentamente o joelho , o Palmeiras continuou jogando com alegria na segunda etapa. Aos nove minutos, Valdivia invadiu a área corintiana com tranquilidade, mas finalizou mal de esquerda. O tiro de misericórdia veio aos 37. A jogada começou com Wendel, lançando Cristiano – um atacante sem grande expressão que havia acabado de chegar do Paraná Clube – na ponta direita. Ele olhou para a área, esperando a chegada de Edmundo e cruzou. De voleio, o eterno camisa sete alviverde matou o goleiro Jean. Prestes a completar 36 anos, o Animal mais uma vez colocou a mão ao lado da orelha, pedindo o aplauso. Como se não ouvisse o que queria, ele mesmo exclamou sem falsa modéstia: eu sou f...! E ele era mesmo!


Palmeiras 3, Corinthians 0. Dizem que os gritos de olé que se sucederam ao gol ecoam até hoje no Morumbi. A torcida palmeirense aclamava Leão. Ironicamente, é claro. O ex-goleiro palestrino era, então, técnico corintiano.


Terminado o jogo, subi a pé a rua Teodoro Sampaio, até o metrô Clínicas, para voltar à casa de uma amiga, que me hospedava na época. Ainda não havia como dormir no meu apartamento. Nem cama, eu tinha.


Naquela mesma semana, encontrei um quadro de madeira descartado perto da lixeira do meu prédio. Salvei a peça de ir para o lixo, a pintei de verde e colei nela os recortes dos jornais de segunda-feira. A ideia era eternizar a imagem de Edmundo de braços abertos tal qual um Cristo Redentor e a manchete do Jornal da Tarde: Show Animal... Talvez, nem fosse preciso tanto. Aquela partida – aquele dia! – jamais sairá da minha memória!




Corinthians 0 x 3 Palmeiras


Morumbi (São Paulo)


Árbitro: José Henrique de Carvalho (SP)


Assistentes: Ednilson Corona e Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP)


Gols: Edmundo, aos 17, e Osmar, aos 38 minutos do primeiro tempo; Edmundo, aos 37 minutos do segundo tempo.


Corinthians: Jean; Eduardo Ratinho (Amoroso), Marinho, Gustavo e Carlão (Rafael Fefo); Daniel (William), Marcelo Mattos, Magrão e Roger; Nilmar e Arce. Técnico: Emerson Leão


Palmeiras: Marcos; Wendel, David, Edmílson e Leandro; Pierre, Francis, Martinez e Valdivia (Cristiano); Edmundo (Michael) e Alemão (Osmar). Técnico: Caio Júnior

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cada louco com sua mania

Por Adriana Vieira

    Dizem por aí que, cada louco tem sua mania. E, certamente, sua superstição. Com a proximidade do derby decisivo, comecei a lembrar de algumas, que ouvi por aí.

    Usar a camisa (ou a cueca, ou meia) da sorte. Sentar no mesmo lugar. Rezar. Se benzer. Assistir com o mesmo grupo de pessoas. Mas, a que apareceu nesta semana, foi surpreendente. Na realidade, não sei se, neste caso, pode ser rotulado como superstição. Ou seria sabedoria.

    Parece que, Felipão está proferindo aos quatro cantos que, se a decisão for para os pênaltis, ele coloca o Marcos, no gol. Não sei se é pra rir ou pra chorar. É certo que, todas as decisões que precisamos do Santo, ele esteve lá. Firme. Impondo respeito. Sabendo o que estava fazendo. E, proporcionando muito mais alegrias que tristezas. Mas, será que isso é mesmo necessário? Como ficaria a moral do Deola? Por outro lado, é fato que, Dentinho, entre outros, dariam uma “amarelada” ao vê-lo pela frente. Vai entender o que se passa na cabeça do mestre.




    Outro assunto que veio à tona: o árbitro “sorteado”. Paulo Cesar de Oliveira. Parece que, ambas as diretorias chegaram a um acordo que, se tratava de um bom nome, árbitro Fifa, pulso firme. Mas, não é uma unanimidade entre os torcedores palmeirenses.

    No fim, o que importa de verdade, é o resultado final e a classificação. Meu palpite é que o Palmeiras ganha. Sem a necessidade de pênaltis. Sem a necessidade de nervos à flor da pele. Sem unhas ruídas. Basta jogar tão bem como foi na primeira fase. Mas, evidentemente, convertendo as oportunidades em gol. Torcendo para o Luan não perder tantas chances.

    E, que venha o Santos – nosso eterno freguês – para a final.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Palmeiras 2 x 1 Mirassol

    Só para não perder o costume, mais um jogo para judiar dos pobres corações palmeirenses...


    Marcos voltou a ser relacionado, só que dessa vez esquentando a banqueta para o bom goleiro Deola, que tem feito defesas importantes e tomando poucos gols nesse Paulistão. O Verdão teve o domínio da partida, mas as várias oportunidades criadas na maior parte das vezes caiam nos pés de Luan que foi disparado o pior jogador da equipe. Felipão gosta do atacante pela disciplina tática apresentada pela ponta esquerda alviverde, mas os gols perdidos quase custaram a classificação. Mas vejam como é o destino, Márcio Araújo, que é tão criticado, principalmente por esse mero blogueiro, errou, aliás, acertou o chute que deu a classificação ao nostro Palestra! O já pupilo de Scolari agora nunca mais deve sair do time. Não duvido que logo logo já esteja usando a 10 e a faixa de capitão também...

   Brincadeiras a parte, o Palmeiras mereceu a classificação, apesar de uma arbitragem que acabou prejudicando mas não tirando os méritos da classificação alviverde. O Mirassol tentou segurar o jogo logo de início, mas o talento de Valdívia foi maior que a marcação dos três volantes adversários. Me chamou a atenção a presença de Tinga jogando como um segundo volante e apresentando-se como um elemento surpresa ao ataque. Apesar das várias críticas, ainda acredito que nessa posição ele possa evoluir. Agora, depois desse gol de Márcio Araújo, que venha o Corinthians!

Cornetadas de rodapé: As críticas da rodada vão para o zagueiro Danilo, que adora aprontar em jogos decisivos... Sorte do Verdão que o árbitro não viu o pontapé maldoso do zagueiro no jogador do Mirassol...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Palmeiras 1x0 Santo André

Por Adriana Vieira

Depois de dois anos sem assistir a uma partida, in loco, passei a tarde do feriado, no Pacaembu, na companhia de minha irmã, cunhado, primos e mais 34 mil entusiasmados e otimistas palmeirenses. Não tinha o que dar errado! Vantagem no placar e vantagem técnica. O jogo seria uma festa, só para sacramentar o que todos já sabiam.

A torcida compareceu na tarde de festa palestrina
Mas, o que se viu, principalmente no primeiro tempo, foi algo bem diferente. O jogo não fluía. Nenhum chute ao gol. E, a maioria dos colegas do setor das cadeiras lanranja, elegeram o vilão da ocasião: Tinga. O menino foi hostilizado durante os primeiros 45 min, de maneira contundente. E essa foi a maior emoção de um joguinho chato, truncado e com péssima atuação da arbitragem que, insistia em inverter laterais, não marcava faltas e irritava a todos.

O segundo tempo, porém, reservou maiores emoções. Logo no começo, Deola foi obrigado a praticar uma defesa digna de São Marcos, numa cabeçada de Célio Dicó. E teve seu nome ovacionado por todos. A partir de então, parece que todos acordaram. O jogo ganhou em emoção. Mas, continuava tecnicamente fraco. O que empolgava de fato, eram os chutes no ar de Valdívia. E também, foi o que irritou bastante os adversários.

Aos 32 min Marcos Assunção bate um escanteio e Danilo, cabeceia para o gol. Mais um de nosso zagueiro-artilheiro! Que comemorou com muito entusiasmo. Emocionou a todos. Um verdadeiro guerreiro em campo.

A partir daí, a festa começou. Gritos de olé ouviram-se por todo o estádio. E para completar a tarde, Wellington Paulista substitui o “eleito” Tinga. Pouco tempo para mostrar serviço. Mas, ainda assim, quando Kleber sofreu pênalti, a torcida pediu em uníssono que nosso novo camisa 9 batesse. Pedido negado por Felipão. Que solicitou que nosso cobrador oficial fizesse o que lhe é designado. Mais um vez, Kleber perde um pênalti diante do goleiro Neneca. O terceiro em dois jogos. Será que ele está com o pé descalibrado ou tem algum problema especificamente com o tal goleiro?

Já no finalzinho, Valvídia chuta a bola na trave e W. Paulista, no rebote, manda a bola por cima do travessão.

Agora, classificado para a próxima fase da Copa do Brasil, aguardamos quem será o adversário. No primeiro jogo o Cortiba venceu por 4 x 0 o Caxias.
Cicinho foi substituído por João Vitor e Tiago Heleno, por Leandro Amaro. Ambos saíram contundidos e são dúvidas para a partida contra o Mirassol, domingo, também no Pacaembu, válido pela quartas-de-final do campeonato Paulista

Nota de repúdio: segundo a edição online do Lance! e fato constatado por mim, pessoalmente, foram comercializados bilhetes duplicados. Tanto no setor de cadeiras laranja, quanto nas cadeiras azuis, a mesma cadeira foi vendida pela internet e na bilheteria do estádio, para torcedores distintos. Confusão não faltou. Mas, como sempre, para tudo se dá um jeitinho. E quem chegou depois, teve que encontrar outro lugar para acompanhar a partida.

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Luizão marcou! Marcou?

Nas 23 edições da Copa do Brasil até hoje, esta é 16ª participação do Palmeiras. Passando pelo Santo André, nos colocamos entre os oito melhores – ou seja, chegamos à fase de quartas de final – pela 10ª vez. Em cinco ocasiões, atingimos as semifinais. E duas vezes fomos à decisão. Perdemos para o Cruzeiro, em 1996. Ganhamos do Cruzeiro, em 1998.


Há menos que aconteça uma daquelas zebras que aparecem de século em século no futebol, nosso adversário nas quartas de final deste ano será o Coritiba, uma equipe que ainda não perdeu em 2011. Um rival que merece todo respeito e atenção.


Em outras duas oportunidades, o Palmeiras disputou as quartas de final da Copa do Brasil contra equipes paranaenses. Em 1992, quando esteve pela primeira vez entre oito melhores, o rival do alviverde foi o Atlético. O Palmeiras venceu o jogo de ida em Curitiba por um 1 a 0, com gol do ex-zagueiro e ex-gerente de futebol Toninho Cecílio. Na volta, outras figurinhas carimbadas marcaram para o Verdão: o atual técnico do Cruzeiro, Cuca, e o eterno matador Evair, duas vezes. Vitória por 3 a 1 e passagem assegurada para as semifinais.


Há quinze anos, quando chegou pela primeira vez à grande final, o Palmeiras também cruzou com um time paranaense nas quartas de final: o Paraná Clube, de Ricardinho, Tcheco e Sebastião Lazaroni. A equipe de Vanderlei Luxemburgo era uma máquina de fazer gols. Já havia batido o Sergipe, com um sonoro 8 a 0, e o Atlético Mineiro, com uma goleada por 5 a 0.


O bom futebol era fruto do trabalho de uma equipe de astros tarimbados, como Djalminha, Rivaldo e Muller. Mas, naquele time, o gol tinha nome: Luizão. Contra o Sergipe, o artilheiro marcou “apenas” metade dos oitos gols do Verdão. Na fase seguinte, ele fez os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Galo, no jogo de ida.


Na goleada sobre o Atlético Mineiro (jogo de volta), Luizão havia passado em branco. Assim como na vitória por 2 a 0, em casa, sobre o Paraná Clube na primeira partida. Então, quando adentrou o gramado do Couto Pereira naquele 14 de maio, o matador já deveria estar com saudades de balançar as redes. Pela Copa do Brasil, é claro. Porque não foram poucos os gols que o camisa nove fez nas dez partidas pelo paulistão naquele período – foram 31 dos 102 que o time faria naquele campeonato.


O fato é que Luizão entrou fervendo na partida disputada em uma noite de outono em Curitiba. Com 19 minutos de jogo, ele fez boa jogada pela direita e chutou forte para o meio da área. A bola bateu no paranista Marcão e entrou, aumentando a já enorme vantagem palmeirense.


Quatro minutos depois, como uma locomotiva o centroavante ganhou na força e na velocidade de Marcão (coitado do Marcão), passou por Ageu, invadiu a área e tocou por baixo do goleiro Régis. Dois a zero, Palmeiras. Dois a zero, Luizão.


Praticamente na sequência, Muller pegou a sobra de um bate-rebate na área e chutou. A bola bateu na mão de Ageu e o árbitro mandou colocar na cal. Djalminha, que não sabia o que era perder pênalti (ouviu, Gladiador?), fez 3 a 0 ainda na metade do primeiro tempo, garantindo a passagem do Verdão para as semifinais. No fim do jogo, Saulo fez o gol de honra do Paraná num chute cruzado indefensável para Velloso.


Com aquele timaço e os gols de Luizão, além de conquistar o Paulistão com sobras, o Palmeiras chegou à final da Copa do Brasil, mas foi derrotado em casa para o Cruzeiro. Talvez, aquele título tivesse ajudado a imortalizar o camisa nove na história do Verdão... Talvez...


Digo “talvez” porque há pouco mais de um ano, entrevistei Luizão no belo prédio em que vive no bairro das Perdizes, em São Paulo. Escolhi o artilheiro de propósito. O programa do qual eu era o editor responsável na época (a última edição do falecido Dossiê Sportv) tratava da identificação do jogador com um clube. “Existe amor à camisa, Luizão?”, foi uma das pergunta que eu lhe fiz. Ele, que consagrou a comemoração de correr batendo no peito, na altura do distintivo do time, respondeu sorrindo ironicamente: “Isso não existe! O jogador que disser que tem amor à camisa tá mentindo! Eu tenho amor à minha família, tenho amor ao futebol. Sou profissional.”


Luizão bateu muitas vezes no escudo do Palmeiras. Bateu inúmeras vezes também no escudo do Corinthians. No do São Paulo. No do Santos. Vasco, Flamengo, Botafogo... E tantos outros. Mesmo com tantas glórias, conquistas, gols, hoje podemos dizer que ele é a cara de algum desses clubes?


Ser ídolo é muito mais do que ser campeão, artilheiro, craque... É cada vez mais raro encontrar um!


Hoje, temos a honra de ter um São Marcos, um Kléber, um Valdivia e até um Pierre (volta logo, Pierre!) no elenco. Que eles nos tragam a glória que Luizão não conseguiu na Copa do Brasil! A imortalidade virá de lambuja...



Paraná Clube 1 x 3 Palmeiras


Couto Pereira (Curitiba)


Árbitro: Carlos Elias Pimentel (RJ)


Gols: Marcão (contra), aos 19, Luizão, aos 23 e Djalminha, aos 25 minutos do primeiro tempo; Saulo, aos 46 minutos do segundo tempo.


Paraná: Régis; Gil Baiano, Marcão, Ageu e Soares (Luciano Roger); Hélcio, João Santos, Paulo Miranda, Ricardinho e Tcheco (Gilson); Saulo. Técnico: Sebastião Lazaroni


Palmeiras: Velloso; Cafu (Wágner), Cláudio, Sandro Blum (Marquinhos) e Júnior; Amaral, Galeano, Djalminha e Rivaldo (Elivélton); Muller e Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Duas decisões pela frente...

Por Vinícius Martins

    Semana decisiva para o Verdão, que espera garantir sua vaga a próxima fase da Copa do Brasil na quinta-feira e também à semi-final do Paulistão, no domingo...


    Todos sabem que, falou-se em mata-mata, a pessoa aí de cima costuma se destacar. Felipão já mostrou que cresce e faz seus times crescerem na hora das decisões e terá a oportunidade de mostrar que não está enferrujado, começando já nesse feriadão prolongado.

    Já que nosso companheiro José Miguel relatou a derrota alviverde para a Macaca, vamos falar um pouco de como pode ser esse Palmeiras que enfrentará o Santo André na quinta-feira.

    Na defesa, Deola, Cicinho, Danilo e Thiago Heleno devem compor o setor. Fico na dúvida de quem jogará entre Rivaldo e Gabriel Silva. Não que o futebol do genérico do mito me agrade, mas Felipão até vê com bons olhos. No meio-campo, Márcio Araújo, Marcos Assunção e Valdivia devem ter presença garantida. Com a contusão de Patrik, acredito que Scolari possa escalar Luan, Kleber e Wellington Paulista no ataque, ou então, avançar um pouco o meia Valdivia e escalar Tinga para compor o meio.

    Se eu fosse Felipão, enfrentaria o Santo André com: Deola, Cicinho, Danilo, Thiago Heleno, Gabriel Silva; Márcio Araújo (não me perguntem por quê), Tinga, Valdivia; Kleber, Luan e Wellington Paulista.

    Agora, acho que o comandante de nostro Palestra deverá entrar assim: Deola, Cicinho, Danilo, Thiago Heleno, Rivaldo; Márcio Araújo, Marcos Assunção, Valdivia; Luan (Tinga), Kleber e Wellington Paulista.
    Marcos Assunção fazia a diferença em campo devido às cobranças de falta e escanteios, mas atualmente os pés do volante não andam calibrados. Por isso, optaria pelo menino Tinga, que, ao meu ver, pode render se jogar como segundo volante, apenas. Mas, enquanto ficamos nos pitacos, aguardamos para ver como nostro alviverde se comportará nas próximas duas partidas decisivas...

domingo, 17 de abril de 2011

Vai começar 2011!

Por José Miguel Prestes

    Após 3 meses da estreia oficial na temporada 2011, em um melancólico empate  em 0x0 contra o Botafogo-SP (com mais cara de 2010 do que de 2011), podemos dizer que finalmente a emoção vai entrar em campo. Pelo Campeonato Paulista, já foram 19 lições de casa, a maioria muito bem feitas por nostra squadra. Maior parte do mérito fica mesmo por conta do Felipão. Pela Copa do Brasil, foram até agora 2 fases superadas (contra o Comercial-PI e o Uberaba-MG) e a primeira parte da lição contra o Santo André, que foi bem resolvida.

    Ao final do último capítulo (a derrota contra a Ponte, neste domingo), o gladiador Kleber não escondeu sua opinião: "Para mim, o campeonato começa agora". A verdade é que o novo formato do estadual, que seria para dar mais emoção e estender a briga por vagas até a 8ª posição, deixando os times do interior com mais chances na disputa contra os grandes, acabou 'matando' a 1ª fase. A emoção ficou toda por conta da 2ª fase, onde teremos jogos mata-mata, só de ida. Além disso, o empate não serve para ninguém.
Adriano MJ jogou praticamente o mesmo que Washington, neste domingo
    A emoção, certamente, está garantida. Agora, será que a Federação não exagerou, não? Arriscar um campeonato em jogos únicos, sem vantagem do empate... para quê ficar 19 rodadas disputando pontos corridos, então?! Sou contra os pontos corridos, mas entendo quem é a favor. Certamente, é o formato mais justo. Mas quem quer justiça no futebol? Eu não! Senão, assistiria vôlei. Eu quero emoção e ver meu time crescer em decisões! Agora, a questão é: não precisa exagerar. Até porque, sabemos que nessas horas os times pequenos ficam completamente fechados na defesa, segurando o empate. E isto vai, novamente, contra a emoção. Ou, pelo menos, contra os gols. E assistimos futebol para ver o quê?

   Mas o fato é que superamos tudo isso. E para nós esta 1ª fase foi ainda mais importante que para qualquer outro time. Basta ver a evolução do time em relação à estreia. (Se não está lembrado, assista aos lances desta e das outras partidas do Verdão na temporada, clicando aqui). Agora, é se preparar! Nesta quinta (21), o adversário será o Santo André, pela Copa do Brasil. Jogo da volta, vantagem do empate e podendo até perder por 1x0. Missão não tanto complicada, mas de grande responsabilidade. Para começar a esquentar os motores! No final de semana, o nível de dificuldade aumenta. Um pouco pelo fato de o adversário, Mirassol, estar um nível acima do Santo André, mas principalmente pela fórmula de disputa, já discutida. Se são os clássicos os jogos que todos esperam ver, a responsabilidade contra o Mirassol é altíssima. Já imaginaram o Palmeiras liderar boa parte do campeonato e depois... bom, não imaginem! Deixem isto para o Mestre Scolari. Ele sabe preparar o time para isto. Quanto a nós, é só nos deixarmos levar pela emoção!

    Avanti Palestra!

    Cornetadas de rodapé: Ouvi alguns elogios sobre sua atuação, mas para mim o Max Santos não mostrou nada! Tinga e Leandro Amaro também foram mal. Adriano MJ vem confirmando, para mim, que é enganador. E não é de agora que venho falando isto! (Espero queimar a língua...) Hoje, só vi Kleber e Deola em campo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Alex e Paulo Nunes fazem sonhar

Por Thiago Macedo
Além de estabelecer uma boa vantagem para avançar na Copa do Brasil, a vitória da última quarta-feira sobre o Santo André permitiu que o Palmeiras alcançasse um feito que não ocorria há 12 anos. A squadra de Felipão completou 15 partidas sem derrota. A última vez que isso havia ocorrido foi entre 19 de março e 28 de abril de 1999, quando o time, também comandado por Don Felipe, trilhava o caminho do sucesso na América.

Naquela época, o Palmeiras disputava três campeonatos simultaneamente: o Paulistão, a Copa do Brasil e a Libertadores. Em meio à maratona de jogos, a equipe colheu bons resultados. Na Copa do Brasil, só caiu nos pênaltis diante do Botafogo nas semifinais. No Paulistão, foi vice-campeão naquele jogo das polêmicas embaixadinhas de Edílson, então no Corinthians. E na Libertadores... Quem não se lembra?

O 12º jogo daquela série invicta de 99 foi um dos mais espetaculares da campanha vitoriosa na Libertadores. Quarta-feira, 21 de abril. Oitavas de final. São Januário, Rio de Janeiro. O Palmeiras havia se classificado em segundo do seu grupo e, por isso, decidia a passagem às quartas na casa do Vasco. Para piorar, tinha conseguido apenas um empate por 1 a 1 em casa na semana anterior.

O Vasco era o atual campeão da América e ainda mantinha um supertime. Para ficar só nos mais importantes, tinha Mauro Galvão na zaga, Juninho Pernambucano no meio e um ataque formado por Donizete e Luizão. O favoritismo, naquela noite, era dos coirmãos cariocas. E Luizão, com apenas três minutos do primeiro tempo, tratou de levar a campo esse favoritismo. Jogada de Donizete, falha de Cléber e sem-pulo do centroavante. Um a zero. A situação se complicava e o Vasco continuava pressionando. Tanto que obrigou Marcos a salvar o Palmeiras nos pés de Donizete, aos 19.

Mas, a noite seria de Paulo Nunes e daquele que talvez seja o único que eu, na minha curta carreira de torcedor de futebol, tenha chamado verdadeiramente de ídolo: Alex. Recomendo a todos os que o criticam que assistam o teipe daquele jogo. Aquela foi uma exibição definitiva, clássica, irretocável do camisa 10. Inesquecível para um garoto de 15 anos.

Aos 26, Alex matou no peito um cruzamento de Arce e chutou de direita, obrigando o goleiro Márcio a fazer uma difícil defesa. Era só o começo. Três minutos depois, César Sampaio foi malandro. Cobrou rapidamente uma falta, lançando o Júnior na esquerda. O lateral bateu cruzado forte, rasteiro. Alex tentou de letra, mas a bola cruzou toda a área, sobrando para Paulo Nunes empatar.

O jogo era lá e cá. Pouco depois de empatar, o Palmeiras deu uma aula de contra-ataque. Zinho recuperou a bola no campo de defesa e lançou Alex. Ele partiu em velocidade pelo meio. Quatro toques na bola, acionou Paulo Nunes, que devolveu de calcanhar. Tudo de primeira: Alex, Paulo Nunes, Alex de novo. Chute forte, com efeito. Golaço. Alex é Craque! Assim mesmo, com C maiúsculo.

Nem tudo eram flores em São Janu, é claro. Afinal, dois dos melhores times do Brasil estavam em campo, disputando uma partida decisiva, que valia continuar vivo na disputa pela América. Ainda no primeiro tempo, o Vasco levou perigo num chute de fora da área de Alex Oliveira, que Marcos – ainda em processo de beatificação – se virou para mandar para escanteio. Na sequência da jogada, Ramon bateu fechado e Galeano raspou contra. O árbitro, no entanto, deu para Ramon a autoria do gol do novo empate. Quando o juiz apitou o fim da primeira etapa, dei graças a Deus. O Vasco estava crescendo perigosamente. A torcida lusa estava prestes a dançar o vira.

Mas, eis que chega então o segundo tempo. Fazendo um exercício muito fácil de imaginação, não é difícil ver Felipão apelando para todos os brios dos palmeirenses nos vestiários. A resposta veio muito rápida!

Com dois minutinhos de jogo, Alex fez um gol para queimar a língua de todos aqueles que um dia ousaram chamá-lo jocosamente de Alexotan, dizendo que ele dormia em campo. Acordadíssimo, ele se antecipou ao cruzamento de Rogério, deixou o lateral Zé Maria e o goleiro Márcio bocejando no lance e marcou o terceiro do Verdão. Loucura na sala de televisão do número 599 da rua Noboro Fukushima, em Apucarana. E olha que o grito tinha que ser baixinho para não acordar a mãe! Alex é muito ídolo!!!

Os contra-ataques alviverdes começaram a surgir aos borbotões. Em um deles, Paulo Nunes foi derrubado pelo volante Nasa na lateral da área. Arce – ah, meu Deus, haverá um dia outro igual? – iludiu a todos que esperavam o cruzamento e mandou direto para o gol. No cantinho, com direito a falha do arqueiro vascaíno.

Com cinco minutos, o Palmeiras marcava dois gols e liquidava a fatura. O Vasco ainda viria para cima com tudo, perdendo várias chances de complicar a partida. E no finzinho, Paulo Nunes ainda teve tempo de perder um gol feito, cara a cara com Márcio.

Mas, já era. Morria ali, em sua casa, o atual campeão da Libertadores. Depois do apito final e já com a tradicional camiseta do Chiclete com Banana, Júnior Baiano provocava a torcida vascaína. Que viesse, então, a próxima vítima: o Corinthians! (Esse é assunto para outra oportunidade!)

Vasco 2, Palmeiras 4. Um jogo de sonhos que ainda hoje, 12 anos depois, faz sonhar...

A atual sequência invicta dos comandados de Felipão ainda é vista com desconfiança por boa parte da torcida. Ganhar de Grêmio Prudente e Santo André não arranca lá muitos suspiros de quem um dia viu Paulo Nunes e Alex acabarem com o Vasco em São Januário. Dificilmente, o time de hoje vai nos dar a alegria de uma Libertadores como aquela, mas sonhar – dormindo ou acordado – não custa nada. O ditado é batido, mas – graças a Deus – verdadeiro!

Em tempo: a maior sequência invicta da história do Palmeiras é bem maior que as dos times de Felipão em 1999 e 2011. Sob o comando de Oswaldo Brandão, o time chegou a ficar 40 partidas sem perder entre dezembro de 1971 e junho de 1972.


Vasco 2 x 4 Palmeiras

São Januário (Rio de Janeiro)

Árbitro: Wilson de Souza Mendonça

Gols: Luizão, aos três, Paulo Nunes, aos 29, Alex, aos 32 e Ramon, aos 35 minutos do primeiro tempo; Alex, aos dois e Arce, aos cinco minutos do segundo tempo.

Vasco: Márcio; Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Alex Oliveira; Nasa, Paulo Miranda (Luís Cláudio), Juninho e Ramon (Vágner); Donizete (Zezinho) e Luizão. Técnico: Antônio Lopes

Palmeiras: Marcos; Arce, Júnior Baiano, Cléber e Júnior; Galeano (Rogério), César Sampaio, Alex (Roque Júnior) e Zinho; Paulo Nunes e Oséas (Evair). Técnico: Luiz Felipe Scolari

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Santo André 1 x 2 Palmeiras - O mocinho quase vira vilão...

Por Adriana Vieira

    A história dos confrontos entre os dois times é cheia de emoção e nem sempre o alviverde triunfou. A mais triste lembrança é da eliminação da edição 2004, da mesma Copa do Brasil – que fique registrado que o time andreense sagrou-se campeão, em cima do Flamengo, em pleno Maracanã.

    O jogo de ontem, não poderia fugir à regra. Depois de um primeiro tempo quase impecável, onde o Palmeiras dominou com sobra, o gol era uma questão de tempo. E veio aos 25 min, pelos pés de Kléber, o “mocinho” do mais novo capítulo dessa história. Só que não poderia ser um simples gol. Anotado pênalti, o Gladiador, como capitão e batedor oficial, não se omitiu à responsabilidade. Bateu. O goleiro Neneca defendeu. E no rebote, Kleber conseguiu se redimir e mandar para as redes. E se o time estava jogando tão bem, tão encaixado, tão certinho, por que não reverter essa superioridade em gols? Porque contra o Santo André é sempre assim. Tenso!


    Começa o segundo tempo. Vinte e poucos segundos, Deola é obrigado a trabalhar pela primeira vez na partida. Fortes emoções ainda estariam por vir. Aos 4 min, depois de manifestações de mal-estar físico entre os torcedores, os jogadores em campo, os reservas e os repórteres sentem os efeitos do que, a priori, era noticiado como gás de pimenta e depois, bomba de gás lacrimogênio. Alguns minutos de atendimento médico e parece que foi o suficiente para dar uma esfriada na partida.

    Aos poucos o time foi novamente tomando as rédeas e Luan, apesar de esforçado, mais uma vez mostrou que tem muito, mas muito, que treinar finalizações com o fiel escudeiro de Felipão, o Murtosa. Perdeu, pelo menos, uns 3 gols “feitos”. Aos 25min, o esforçado Luan sofre pênalti. Mostrando ser dono de muita personalidade e confiança, Kleber bate o pênalti. E mais uma vez, Neneca defende. Dessa vez, mandando para linha de fundo, evitando a possibilidade de rebote. E assim, por muito pouco, nosso mocinho não se tranforma em vilão. Marcos Assunção bate o escanteio, e depois do bate-rebate na área, Kleber marca.

    Como alegria demais parece ser pecado para os palmeirenses, aos 44 min o zagueiro Anderson marca de cabeça, o gol do Santo André, acabando com a invencibilidade de Deola que já passava a marca dos 500 min sem tomar gols.

    Agora, veremos as emoções que nos aguardam na próxima quinta-feira, na partida de volta. E que definirá quem passará para as quartas-de-final. A vantagem de ter marcados 2 gols fora, não pode ser ignorada. Mas, quando se trata do encontro desses dois times...tudo é possível.
Substituições: Marcos Assunção deu lugar ao volante Chico; Wellington Paulista estreou substituindo Valdívia e Kleber, já no finalzinhho, cede seu lugar a João Vitor.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Palmeiras 2 x 0 Grêmio Prudente

Por Vinícius Martins

    Mesmo sem os dois principais jogadores da equipe, Cicinho e Kleber (isso, claro, na opinião desse mero coadjuvante das colunas esportivas), o Verdão chegou a mais uma vitória na competição.


    O Palmeiras e seu futebol das jogadas de linha de fundo, bem característico do treinador palmeirense, onde dessa vez os dois gols resultaram de bola parada. Valdivia voltou a atuar e já gerou polêmica em discussão com seu companheiro Luan, dentro das 4 linhas. Assunto já resolvido e esclarecido através do twitter de Valdivia e nada que possa estragar o bom clima que vive a equipe.

    O eficiente futebol alviverde vem conquistando sua torcida que começa a ter mais confiança na equipe. Com Kleber, Valdivia, Wellington Paulista, Scolari já começa a ter em vista a formação ideal para enfim acertar a equipe.Depois de amanhã, Felipão já pode escalar o time titular que pode ser a base para a disputa do Brasileirão. Apesar do adversário já estar rebaixado no Paulistão, é importante o uso da força máxima para não dar chance pro azar.

    Oitavas-de-finais da Copa do Brasil e a última rodada da primeira fase do estadual marcam essa semana para o Palmeiras, que a cada jogo ganha força e começa a figurar entre os favoritos nas duas competições...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Encontramos um nove!

Nove. Goleador. Artilheiro. Matador. Homem-gol. Centroavante. Chame como quiser. O fato é que o Palmeiras acabou de contratar esse cara. Bom, pelo menos, é isso que desejamos. Esperamos ansiosamente que Wellington Paulista seja essa figura.


Em sua história, o Verdão teve alguns craques (e outros nem tanto) íntimos do gol. Heitor, Imparato, Mazzola, Vavá, Servílio, César Maluco, Evair, Edmundo, Luizão, Oséas. Vágner Love foi o último grande ícone desta lista. “Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém”, há mais de 30 anos, escreveu Belchior para Elis cantar.


Tomara que não seja bem assim. Mas, realmente, desde a conturbada saída do Atacante do Amor – e lá se vai mais de um ano! – ninguém usou a tal camisa nove. Agora ela será de Wellington Paulista. Finalmente, o Palmeiras parece ter achado um centroavante para chamar de seu. Encontramos um nove! Encontramos um nove?


Isso me faz lembrar a primeira fuga do Love, quando ele foi ganhar seus petrodólares na gélida Rússia e nos deixou a ver navios. Foi lá no meio de 2004. O Palmeiras vinha com tudo no Brasileirão. Sob o comando de Estevam Soares e com os gols de Vágner Love, havia vencido os três clássicos do campeonato até então e vinha bem na liderança do campeonato. Era só alegria. Até que cinco milhões de dólares do CSKA Moscou jogaram um balde de água fria na torcida alviverde. Em 68 jogos pelo Palmeiras, Vágner Love havia marcado 49 gols.


Foi tudo muito rápido. No dia 27 de junho, o Palmeiras venceu o São Paulo no Morumbi com dois gols dele. No jogo seguinte, contra o Paraná, o comando de ataque já tinha um novo nome.


Novo mesmo. Kahê, 21 anos, 1,87m, a cara do Shrek. Naquela tarde, sem grande brilho ele fez um dos gols da vitória fora de casa. Mas, o melhor ainda estava por vir.


Palestra Itália, noite de quarta-feira, 7 de julho de 2004. Palmeiras e Juventude. Era vencer e reassumir a liderança do campeonato. Estevam Soares apostou mais uma vez em Kahê para ser o homem-gol do time. E ele correspondeu como nunca. Aos 22 minutos do primeiro tempo, ele não alcançou o cruzamento de Pedrinho. Aos 40, ele não perdoou. Correa cobrou falta na área e Kahê Shrek se antecipou à zaga gaúcha para abrir o placar. Gol típico de centroavante cabeceador.


No segundo tempo, o Palmeiras voltou com tudo. Pressão desde o início. Mas, quem marcou primeiro foi o Juventude, com Thiago, chutando de fora da área. Era hora, então, de Kahê entrar em ação novamente. Pedrinho fez boa jogada pela direita e colocou na cabeça do grandalhão. Dois a um. Pressionando, o Palestra chegou ao terceiro gol com Correa, que cobrou uma daquelas faltas laterais que vão passando, passando, passando, não tocam em ninguém e morrem no fundo da rede.

No finzinho, ainda deu tempo de Kahê comemorar seu primeiro hat-trick no futebol profissional. Thiago Gentil tocou, Diego Souza (aquele primeiro, da Série B, não este que está no Vasco!) acertou a trave e Kahê, no rebote e de cabeça (quer um lance mais típico de centroavante que esse?) fez o terceiro dele e o quarto do Palmeiras, fechando a conta de uma noite inesquecível para o jovem atacante. Palmeiras 4, Juventude 1.

Pronto! Quem precisa de Vágner Love? Temos cinco milhões de dólares na mão e ainda nos resta um matador à altura do Artilheiro do Amor. Rei morto, rei posto. Viva Kahê! Encontramos um nove!


O mais comedido palmeirense, naquela noite, pensou algo desse tipo. Mas, como diz um amigo meu, narrador do Sportv, a euforia leva à debilidade.


Depois daquele jogo, Kahê deve ter disputado mais uma dúzia de partidas com a camisa do Palmeiras. Sabe quantos gols ele fez após aquela noite de sonho? Nenhunzinho da Silva!


Foi logo emprestado para a Ponte Preta, de onde conseguiu – Deus sabe como – uma transferência para o futebol alemão. De lá, foi ganhar seus trocados no Gençlerbirligi (nem me pergunte como se lê isso), da Turquia. Hoje joga, discretamente, no também turco Manisaspor.


Encontramos um nove?


Muita calma nessa hora!



Palmeiras 4 x 1 Juventude Palestra Itália (São Paulo)


Árbitro: Elvecio Zequetto (MS)


Auxiliares: Adnilson da Costa Pinheiro e Ivanilton Bandeira da Silveira (ambos do MS)


Gols: Kahê, aos 40 minutos do primeiro tempo; Thiago, aos 17, Kahê, aos 28, Correa, aos 36, e Kahê, aos 46 minutos do segundo tempo.


Palmeiras: Sérgio; Nen, Leonardo e Alceu; Baiano (Thiago Gentil), Correa, Magrão (Diego Souza), Élson, Pedrinho (Francis) e Lúcio; Kahê. Técnico: Estevam Soares


Juventude: Eduardo Martini; Índio (Naldo), Neto e Thiago; Jancarlos, Camazzola, Lauro (Igor), Evandro e Zé Rodolfo; Da Silva e Leonardo Manzi (Bruno). Técnico: Ivo Wortmann

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Há quanto tempo...

Por Adriana Vieira

    Não vou mentir. A sensação de não ter nada de ruim acontecendo é muito estranha. Me acostumei ao sofrimento, à apreensão, à ansiedade de ver o Palmeiras quase sempre aos trancos e barrancos. Acompanhei os 17 anos de fila. Não a toa, aquela final de 93 ainda está muito viva na memória e na retina.
Exceção feita aos anos dourados da era Parmalat, sempre tivemos que conviver com um crise instaurada. Salários atrasados, brigas entre jogadores, torcida fazendo protesto, muros pichados, fatos inusitados...
    E agora, tudo caminhando dentro da mais perfeita normalidade. Líder do Campeonato Paulista. Classificado para a próxima fase na Copa do Brasil. Plantel afinado e entrosado. Discurso otimista. Dá até um pouco de medo.

    Há quanto tempo não vemos um jogador já negociado com time italiano, continuar jogando, se dedicando e demonstrando amor ao time? Danilo está tendo uma postura impecável. E tem  contribuído muito com a defesa menos vazada do país. Há quanto tempo não nos sentimos tão seguros, mesmo com São Marcos freqüentando o departamento médico há meses? Deola está mostrando porque a nossa escola de goleiros é tão renomada. Há quanto tempo, mesmo com um protagonista como Valdívia de fora, o time continua rendendo da mesma maneira como se ele estivesse em campo? Muito tempo. Muito tempo, mesmo.
    Ouso atribuir todo o mérito dessa calmaria ao Felipão. O mestre! Que confessou ter tido várias propostas para trocar de time. E não o fez, por amor. Sim, por amor! Algumas propostas eram muito mais interessantes financeiramente. Mas, a vontade de ser campeão novamente pelo Palmeiras, falou muito mais alto.
    Além do lado emocional, temos que sempre nos curvar ao conhecimento futebolístico dele. Entende muito do riscado. Técnico do nosso principal título. Campeão do mundo pelo Brasil. Finalista da Eurocopa, com Portugal. Maior vencedor da Copa do Brasil. E muitos títulos ainda hão de vir. Sorte nossa de termos Scolari no comando.

Cornetadas de rodapé

    Ontem ficou acertado o empréstimo do lateral/volante Wendel, que treinava em separado, até o final do ano, para o Atlético/ PR.
    Wellington Paulista se colocou à disposição de Felipão para jogar, já na próxima semana, contra o Santo André, pela Copa do Brasil. Disse estar com ritmo de jogo, afinal, vinha atuando pelo Cruzeiro e, está acostumado com pressão. Que ele seja o 9 que tanto esperamos. Que toda expectativa seja transformada em gols.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Arena do Gladiador

Por José Miguel Prestes

    Na última sexta-feira (01), estive presente no Estádio Palestra Itália (ou o que resta dele) e pude conferir de perto o andamento das obras da Arena Palestra. Para completar, consegui uma breve "entrevista" exclusiva com a atendente da Loja Oficial do Palmeiras, uma das poucas coisas ainda intacta pelas obras. Como você pode conferir, em breve o Gladiador terá de volta a sua Arena.

    A entrevista você confere a seguir:

    Torcida Real Organizada - Vocês têm alguma informação sobre o andamento das obras no estádio?
    Loja Oficial do Palmeiras - As obras? Está tudo certo.
    TRO - Nenhuma notícia sobre atraso, paralisação...?
    LOP - Não! Pelo contrário. Tentaram, desde o começo, dizer que as obras estavam atrasadas e até que seriam paradas por um tempo. No começo, parecia que estava quase parando mesmo, mas é porque estavam sendo feitas coisas que quase não apareciam. Hoje, já se pode ver alguns prédios sendo erguidos e não tem mais como dizer que está atrasado. O que dizem por aqui é que como o estádio do Corinthians está com tantas dificuldades para começar, começaram a ser "plantadas" algumas notícias sobre a Arena para não ficar tão feio para eles. Os prédios administrativos, aliás, devem ser entregues antes do previsto.
    TRO - E em relação aos treinos. A torcida está tendo acesso? Alguns treinamentos estão sendo abertos ao público?
    LOP - Ah, isso não! O Felipão nunca abre os treinamentos.

    Confira, abaixo, as fotos da Arena.







Avanti Palestra!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Santos 0 x 1 Palmeiras

Por Vinícius Martins


    Nada como começar a nossa postagem com a imagem que retratou o clássico. Neymar, como na foto, foi anulado pela marcação palmeirense, que teve trabalho, mas não deixou o craque realizar uma de suas melhores partidas. Mas para não crucificar o garoto vamos bem dizer também que o senhor Paulo Henrique Ganso simplesmente parecia não estar em campo...

    Felipão apostou no trio Patrik, Adriano MJ e Kleber, sendo que, Lincoln, Marcos Assunção e Márcio Araújo fecharam o meio-campo. Adriano fez uma péssima partida, tanto que antes do término da primeira etapa Scolari já havia colocado Luan no lugar do "rei do pop".

    A equipe santista mostrava sua superioridade técnica que esbarrava na forte marcação palmeirense, que vem sendo um dos méritos de Felipão nesse início de temporada. Cicinho, Danilo, Thiago Heleno e Rivaldo fizeram uma partida quase que taticamente impecável. O meio-campo palmeirense ficou meio "pesado" com Marcos Assunção e Lincoln ainda por cima dependendo do pupilo de Felipão, Márcio Araújo, para conter as descidas do rápido time da Vila Belmiro.

    No duelo do futebol bonito x futebol "feio" melhor para o Verdão que praticamente garante a liderança dessa primeira fase. Lembramos da última Liga dos Campeões, onde o futebol bonito do Barcelona sucumbiu para a forte marcação do time da Internazionale. Felipão vai tentando organizar a casa e pediu apenas mais um camisa 9 para deixar esse time ainda mais "redondo".

    Cornetadas de rodapé: Péssima partida de Lincoln e Adriano Michael Jackson. Espero que o mestre Scolari não pense mesmo em jogar com Lincoln e Valdivia juntos. Como as chances de Márcio Araújo sair são as menores possíveis, apostaria no meio-campo com: Márcio, Tinga e Valdivia.

    Elogios de rodapé: Excelente entrosamento vem vivendo a dupla Patrik e Kleber, com mais um atacante que se encaixe com os dois o Palmeiras pode começar a melhorar os números do setor ofensivo. Excelente partida de Cicinho e Thiago Heleno que são dois jogadores que por enquanto queimam minha língua!

Wellington Paulista: "Já está tudo certo", diz Perrela

Por José Miguel Prestes

    Há 20 dias, a Torcida Real Organizada propôs um "plano" para a contratação do novo camisa 9 palmeirense. No post "Hoje é dia de... Secar o Cruzeiro", foi solicitado à torcida alviverde que, além de torcer por uma vitória de seu time contra o Uberaba-MG, pela Copa do Brasil, torcesse também contra o Cruzeiro em seu confronto frente ao Tolima-BOL, pela Libertadores. O atacante Wellington Paulista voltaria ao time titular do Cruzeiro, após um período afastado para "recondicionamento técnico". Um desempenho ruim do atacante, já sem muito espaço no time celeste, poderia facilitar a contratação do atacante pelo Palmeiras.

    A "secada" não deu muito certo (o Cruzeiro venceu o Tolima por 6x1), mas Wellington Paulista, pelo menos, não marcou o seu, apesar do bom desempenho do ataque cruzeirense. Outro toque palmeirense na situação está sendo o bom desempenho do recém-contratado Ortigoza, ex-Palmeiras, pelo Cruzeiro. WP9 realmente perdeu espaço no time, que conta com inúmeras opções no ataque e lidera o Campeonato Mineiro e é o time de melhor desempenho na fase de grupos da Libertadores, com o melhor ataque e a melhor defesa em ambas as competições.
    A negociação envolvendo o atacante e o Palmeiras teve mais um capítulo hoje, com a reunião entre o presidente cruzeirense Zezé Perrela e a cúpula palestrina, em São Paulo. Ao final da reunião, Perrela divulgou: "Já está tudo certo. Agora basta o Palmeiras se acertar com o Wellington, que já está em São Paulo desde o fim de semana. Mas, de minha parte, não tem mais problemas".  A negociação envolve a ida do lateral-direto Vítor, que pertence ao Palmeiras e está emprestado ao Sport. No contrato de empréstimo do lateral, existe uma cláusula que prevê a liberação do jogador caso o Palmeiras recebesse alguma proposta.
    Wellington Paulista defenderá o Verdão na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro, com contrato de empréstimo até o final do ano. O "Plano Real", de um jeito ou de outro, deu certo! Agora, é torcer pelo bom desempenho do atacante dentro de campo.

    Avanti Palestra!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – O Palmeiras dos 102 gols implode o Santos na Vila

Por Thiago Macedo

Na última rodada do Paulistão, o Palmeiras venceu o Bragantino com a participação decisiva de Thiago Heleno, que marcou duas vezes no Canindé. Zagueiro goleador não é novidade na história do Palmeiras. Sabe quem foi o artilheiro do time na conquista da Libertadores de 99? Esqueça Oséas, Paulo Nunes, Evair... Nada disso! Foi o Júnior Baiano! É isso mesmo! Júnior Baiano fez cinco gols, contra quatro do Oséas e do Alex, e três do Arce e do Paulo Nunes.

Isso me faz lembrar outro becão que gostava de marcar seus golzinhos com a maglia alviverde: Cléber, ou melhor, Clebão! Sempre sério e competente, o zagueiro foi o protagonista da partida que hoje vamos relembrar. Santos 0 x 6 Palmeiras, em plena Vila Belmiro. Fez dois dos seus 21 gols marcados em 372 jogos pelo Palestra.

O mais curioso é que esse jogo me foi sugerido pelo mais fanático santista que conheço: meu amigo Coqueiro. Em 24 de março de 1996, o Coqueiro morava em Santos, mais perto do que nunca de sua grande paixão. O momento do time da Vila não era bom. Está certo que três meses antes havia sido vice-campeão brasileiro em uma polêmica decisão contra o Botafogo, de Túlio Maravilha, mas o início ruim no Paulistão derrubou o técnico Candinho.

Por outro lado, o Palmeiras estava vivendo os primeiros meses daquele que, para mim, foi o maior time que vi jogar com a camisa verde. Muller, um dos craques da época, até hoje diz que aquela foi a melhor a equipe em que jogou. E, vejam bem, ele jogou três Copas do Mundo e ainda foi campeão do mundial interclubes pelo São Paulo!



Naquele domingo, Coqueiro estava na Vila, como de costume. O que havia de diferente era a companhia. Depois de muita insistência, finalmente, Coqueiro conseguiu convencer sua esposa (“suposta são-paulina”, como ele mesmo diz) a assistir a uma partida do Peixe com ele.

O time que eles viram entrar em campo estava muito desfalcado devido a lesões e suspensões. As boas notícias eram o retorno de Jamelli, depois de passar dois meses com a seleção pré-olímpica, e a grande fase do dono da camisa dez de Pelé. Depois de dar show no Brasileirão 95, Giovanni foi o artilheiro do Paulistão 96.

O primeiro tempo da partida, que daria o título do primeiro turno ao Palmeiras, não deixou ninguém respirar. Com 24 minutos, o Palmeiras já vencia por 3 a 0. E a descrição dos gols é de matar de desgosto qualquer palestrino que frequenta as arquibancadas em jogos do time atual. Vamos lá...

No primeiro, Muller cruzou da esquerda para Rivaldo, de peixinho, completar. O segundo nasceu de uma falta na entrada da área, que Djalminha colocou na cabeça de Cléber. E o terceiro, também de cabeça, também do Clebão, foi marcado depois de cruzamento do lateral Júnior.

Seria um pecado resumir o primeiro tempo dessa forma. O Palmeiras teve ainda mais, pelo menos, sete chances de marcar. Com direito à fila de Rivaldo na defesa santista, balaço de Luizão no travessão, além de um “quase golaço” de voleio do mesmo Luizão. E, para quem pensa que o Santos não trouxe dificuldade nenhuma ao Verdão de Vanderlei Luxemburgo, podemos relembrar um passe de calcanhar – daqueles dignos do doutor Sócrates – de Giovanni, que Jamelli desperdiçou e um chute de muito longe de Baiano, que carimbou o travessão de Velloso.

Entre os quase 15 mil torcedores no estádio, Coqueiro assistia a tudo de um lugar que havia escolhido cuidadosamente: bem diante da baliza onde o Palmeiras marcou os três gols do primeiro tempo. Torcedores de futebol frequentemente acreditam que o time esteja mal devido a alguma coisa que eles fizeram de diferente do usual. É a tal superstição. Naquele momento, Coqueiro pensou em mudar de lugar, ir lá para o outro lado do campo, para ver se a sorte do Peixe também virava. Foi melhor para ele ter se mantido no mesmo lugar...

Na volta para o segundo tempo, a equipe do Santos tentou mostrar brio para cima do Palmeiras. Mas, não era dia daqueles que usavam branco. O quarto gol dos verdes saiu de uma jogada de dois dos mais inspirados naquela tarde. Djalminha foi ao fundo e rolou para Cafu completar com um belo chute colocado no ângulo. De pênalti, o próprio Djalminha fez o quinto. E, no fim, depois de uma bela jogada de Luizão pela ponta, Rivaldo marcou mais uma vez de cabeça, completando a pescaria e garantindo o título do primeiro turno para o Palmeiras, com uma rodada de antecipação, nenhuma derrota e tendo vencido todos os clássicos.

Enquanto alguns torcedores santistas ameaçavam invadir o campo, Coqueiro deixava o estádio em silêncio, desconsolado e com uma vontade “quase-convicta” de nunca mais convidar sua amada para uma partida do Santos!

Atrás do gol onde Cléber marcou duas vezes na primeira etapa, aquela mesma meta tão próxima dos olhos do meu amigo Coqueiro, havia uma faixa colocada pela diretoria do Santos para explicar as obras na Vila Belmiro. “Estamos construindo um novo Santos.” Quem conhece um pouquinho sobre obras sabe que, muitas vezes, para construir é preciso destruir. De onde se pode concluir, então, que, naquele dia, o Palmeiras colaborou e muito para a construção de um novo Santos...

(Em tempo: o alviverde conquistou o campeonato com a melhor campanha de uma equipe na era profissional nesta competição. Na ocasião, foi campeão com 83 pontos ganhos em 90 possíveis – um índice de aproveitamento de 92,2% – e 102 gols marcados em 30 jogos realizados. Depois disto, esta marca jamais foi alcançada por qualquer outra equipe na competição.)


Santos 0 x 6 Palmeiras

Vila Belmiro (Santos)

Árbitro: Dalmo Bozzano

Gols: Rivaldo, aos cinco, e Cléber, aos 17 e aos 24 minutos do primeiro tempo; Cafu, aos 14, Djalminha, aos 38, e Rivaldo, aos 42 minutos do segundo tempo.

Santos: Gilberto; Claudemir, Batista (Gustavo), Sandro e Marcos Paulo; Gallo, Kiko (Luiz Carlos), Baiano e Marcello Passos (Macedo); Giovanni e Jamelli. Técnico: Orlando Amarelo.

Palmeiras: Velloso; Cafu (Osio), Sandro Blum, Cléber (Cláudio) e Júnior (Elivélton); Galeano, Flávio Conceição, Rivaldo e Djalminha; Muller e Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo