sexta-feira, 22 de abril de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Luizão marcou! Marcou?

Nas 23 edições da Copa do Brasil até hoje, esta é 16ª participação do Palmeiras. Passando pelo Santo André, nos colocamos entre os oito melhores – ou seja, chegamos à fase de quartas de final – pela 10ª vez. Em cinco ocasiões, atingimos as semifinais. E duas vezes fomos à decisão. Perdemos para o Cruzeiro, em 1996. Ganhamos do Cruzeiro, em 1998.


Há menos que aconteça uma daquelas zebras que aparecem de século em século no futebol, nosso adversário nas quartas de final deste ano será o Coritiba, uma equipe que ainda não perdeu em 2011. Um rival que merece todo respeito e atenção.


Em outras duas oportunidades, o Palmeiras disputou as quartas de final da Copa do Brasil contra equipes paranaenses. Em 1992, quando esteve pela primeira vez entre oito melhores, o rival do alviverde foi o Atlético. O Palmeiras venceu o jogo de ida em Curitiba por um 1 a 0, com gol do ex-zagueiro e ex-gerente de futebol Toninho Cecílio. Na volta, outras figurinhas carimbadas marcaram para o Verdão: o atual técnico do Cruzeiro, Cuca, e o eterno matador Evair, duas vezes. Vitória por 3 a 1 e passagem assegurada para as semifinais.


Há quinze anos, quando chegou pela primeira vez à grande final, o Palmeiras também cruzou com um time paranaense nas quartas de final: o Paraná Clube, de Ricardinho, Tcheco e Sebastião Lazaroni. A equipe de Vanderlei Luxemburgo era uma máquina de fazer gols. Já havia batido o Sergipe, com um sonoro 8 a 0, e o Atlético Mineiro, com uma goleada por 5 a 0.


O bom futebol era fruto do trabalho de uma equipe de astros tarimbados, como Djalminha, Rivaldo e Muller. Mas, naquele time, o gol tinha nome: Luizão. Contra o Sergipe, o artilheiro marcou “apenas” metade dos oitos gols do Verdão. Na fase seguinte, ele fez os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Galo, no jogo de ida.


Na goleada sobre o Atlético Mineiro (jogo de volta), Luizão havia passado em branco. Assim como na vitória por 2 a 0, em casa, sobre o Paraná Clube na primeira partida. Então, quando adentrou o gramado do Couto Pereira naquele 14 de maio, o matador já deveria estar com saudades de balançar as redes. Pela Copa do Brasil, é claro. Porque não foram poucos os gols que o camisa nove fez nas dez partidas pelo paulistão naquele período – foram 31 dos 102 que o time faria naquele campeonato.


O fato é que Luizão entrou fervendo na partida disputada em uma noite de outono em Curitiba. Com 19 minutos de jogo, ele fez boa jogada pela direita e chutou forte para o meio da área. A bola bateu no paranista Marcão e entrou, aumentando a já enorme vantagem palmeirense.


Quatro minutos depois, como uma locomotiva o centroavante ganhou na força e na velocidade de Marcão (coitado do Marcão), passou por Ageu, invadiu a área e tocou por baixo do goleiro Régis. Dois a zero, Palmeiras. Dois a zero, Luizão.


Praticamente na sequência, Muller pegou a sobra de um bate-rebate na área e chutou. A bola bateu na mão de Ageu e o árbitro mandou colocar na cal. Djalminha, que não sabia o que era perder pênalti (ouviu, Gladiador?), fez 3 a 0 ainda na metade do primeiro tempo, garantindo a passagem do Verdão para as semifinais. No fim do jogo, Saulo fez o gol de honra do Paraná num chute cruzado indefensável para Velloso.


Com aquele timaço e os gols de Luizão, além de conquistar o Paulistão com sobras, o Palmeiras chegou à final da Copa do Brasil, mas foi derrotado em casa para o Cruzeiro. Talvez, aquele título tivesse ajudado a imortalizar o camisa nove na história do Verdão... Talvez...


Digo “talvez” porque há pouco mais de um ano, entrevistei Luizão no belo prédio em que vive no bairro das Perdizes, em São Paulo. Escolhi o artilheiro de propósito. O programa do qual eu era o editor responsável na época (a última edição do falecido Dossiê Sportv) tratava da identificação do jogador com um clube. “Existe amor à camisa, Luizão?”, foi uma das pergunta que eu lhe fiz. Ele, que consagrou a comemoração de correr batendo no peito, na altura do distintivo do time, respondeu sorrindo ironicamente: “Isso não existe! O jogador que disser que tem amor à camisa tá mentindo! Eu tenho amor à minha família, tenho amor ao futebol. Sou profissional.”


Luizão bateu muitas vezes no escudo do Palmeiras. Bateu inúmeras vezes também no escudo do Corinthians. No do São Paulo. No do Santos. Vasco, Flamengo, Botafogo... E tantos outros. Mesmo com tantas glórias, conquistas, gols, hoje podemos dizer que ele é a cara de algum desses clubes?


Ser ídolo é muito mais do que ser campeão, artilheiro, craque... É cada vez mais raro encontrar um!


Hoje, temos a honra de ter um São Marcos, um Kléber, um Valdivia e até um Pierre (volta logo, Pierre!) no elenco. Que eles nos tragam a glória que Luizão não conseguiu na Copa do Brasil! A imortalidade virá de lambuja...



Paraná Clube 1 x 3 Palmeiras


Couto Pereira (Curitiba)


Árbitro: Carlos Elias Pimentel (RJ)


Gols: Marcão (contra), aos 19, Luizão, aos 23 e Djalminha, aos 25 minutos do primeiro tempo; Saulo, aos 46 minutos do segundo tempo.


Paraná: Régis; Gil Baiano, Marcão, Ageu e Soares (Luciano Roger); Hélcio, João Santos, Paulo Miranda, Ricardinho e Tcheco (Gilson); Saulo. Técnico: Sebastião Lazaroni


Palmeiras: Velloso; Cafu (Wágner), Cláudio, Sandro Blum (Marquinhos) e Júnior; Amaral, Galeano, Djalminha e Rivaldo (Elivélton); Muller e Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Um comentário:

  1. Exatamente! Já disse em alguns posts anteriores... devemos agradecer por termos jogadores como São Marcos, El Mago, Gladiador e o Guerreiro Pierre! Coloquei nesta lista também o Deola, que segue em processo de beatificação.

    São poucos os times (se é que há mais algum) com este número de jogadores com tamanha identificação com o clube, no elenco. Sem contar o Mestre Scolari.

    Luizão faz parte do time de Edílson, Viola, Magrão... fizeram dentro de campo para serem ídolos, mas conseguiram jogar fora!

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