Por Thiago Macedo
Grosso modo, o Palmeiras de hoje tem um obstinado e bem-sucedido operário da repetição, chamado Marcos Assunção e três jogadores que em algum momento já se mostraram acima da média: Marcos, Valdivia e Kleber. Amanhã, contra o América Mineiro no Canindé, Marcos e Kleber estarão fora por algum tipo de incômodo físico, enquanto Valdivia, retornando de lesão, será apenas uma opção para o banco de reservas.
Se na semana passada, a mensagem foi “Já foi pior”, hoje vamos pelo caminho contrário...
O Palmeiras de 1996 devia ter também uns três ou quatro jogadores “diferentes”. Mas, ao contrário do time atual, o restante é que era acima da média. Rivaldo, Djalminha, Luizão, Müller, Cafu e por aí vai. Dá saudade!
Enquanto a gente sonha – e eu confesso que sem muita esperança – que Valdivia, Kleber e Marcos voltem a decidir jogos a nosso favor, em 1996, essa turma aí vivia resolvendo a nossa vida. Em 19 de maio de 1996, contra o Botafogo-SP pelo Paulistão, foi a vez de Djalminha, Müller e Marcos (!) brilharem com a camisa alviverde. Isso mesmo: um ainda candidato a santo – e ainda cabeludo – Marcos fazia o seu primeiro milagre e completava a festa do meia espetacular e do atacante infernal (inspirem-se, Mago e Gladiador!).
Já se vão mais de 15 anos daquela partida no Palestra Itália. Marcos ainda não havia passado à torcida a certeza de que ele era o reserva ideal para Velloso, então dono da camisa um alviverde. Mas, naquela tarde, com o titular suspenso, o menino cabeludo de 22 anos ganhou de Vanderlei Luxemburgo a sua primeira chance de mostrar trabalho.

Na verdade, mostrar trabalho é força de expressão. O Botafogo-SP levou pouquíssimo perigo à meta de Marcos durante toda a partida. Até que...
Até que, quando o Verdão já vencia por 4 a 0, Flávio Conceição cometeu uma falta em Jajá dentro da área, assinalada pelo árbitro paraguaio Epifanio González. Pênalti!
Antes da cobrança de Paulo César, vamos contar como o Palmeiras dos 102 gols chegou a mais uma goleada.
A máquina de Vanderlei Luxemburgo mandou no jogo desde o primeiro minuto. O primeiro gol, aos 10 minutos, mostra bem a força ofensiva daquele time. A jogada começou com o lateral esquerdo Júnior, que cruzou. O lateral direito Cafu dominou já dentro da área e tocou para Müller. O atacante, que sempre soube jogar simples como ninguém, só rolou para o balaço rasteiro de Djalminha. Um a zero! Vibração dos 21.153 pagantes no Palestra Itália... (Realmente, eram outros tempos!)
Aos 25 minutos de jogo, continuava o show do camisa 10 palmeirense. Gol olímpico de Djalminha, o craque-veneno. Dois a zero, Verdão! Poucos minutos depois, ele abusou da categoria para marcar um gol de placa. Arrancou sozinho do meio-campo, deu um drible desconcertante entre as pernas do marcador na meia-lua, entrou na área e deu um toquinho pra tirar o goleiro. É de chorar de saudade! Hat-trick do camisa 10 com 31 minutos de jogo!
Já no segundo tempo, aos 14 minutos, foi Müller quem completou a goleada. Flávio Conceição bateu falta de longe com força, a bola tocou na barreira e sobrou para o atacante marcar. Quatro a zero... Naquele dia, o Palmeiras, acostumado a fazer seis, oito gols, deixou barato!
Mas, como o jogo só acaba quando termina, voltemos à marca do pênalti.
Com uma camisa extravagantemente colorida bem à moda dos anos 90, o jovem Marcos estreava em jogos oficiais. Era o primeiro pênalti que ele precisaria defender. Paulo César correu displicentemente. A cobrança não foi boa, é verdade. Ficou claro que a bola ia no canto direito. Marcos se atirou e espalmou para escanteio. A cena que veio a seguir é conhecida e imortalizada.
O camisa 12 se ajoelhou e levantou as mãos para o céu, enquanto era abraçado pelos companheiros. A comemoração de todos os jogadores na defesa de um pênalti que não mudaria em nada o resultado da partida mostrou como era querido aquele promissor arqueiro. Os colegas já pareciam sentir o que toda a nação alviverde veio sentir apenas uns três anos depois: aquele era um jogador especial.
Que, amanhã, Marcos possa relembrar aquela tarde de outono de 15 anos atrás e passar um pouco de inspiração para o grupo! Que Valdivia e Kleber assistam ao vídeo no Youtube (tá fácil: o link tá ali embaixo!) e vejam o que faziam Djalminha e Müller, entre tantas outras feras! E que o Palmeiras volte a ser grande! É otimismo demais esperar que isso possa começar amanhã, no Canindé?
Clique aqui e veja os gols do jogo e a primeira defesa de pênalti de São Marcos
Palmeiras 4 x 0 Botafogo-SP
Palestra Itália
Árbitro: Epifanio González (PAR)
Gols: Djalminha, aos 10, aos 25 e aos 31 minutos do primeiro tempo; e Müller, aos 14 minutos do segundo tempo.
Palmeiras: Marcos; Cafu, Cláudio, Cléber e Júnior; Amaral, Flávio Conceição (Marquinhos), Djalminha (Elivélton) e Rivaldo; Müller (Renaldo) e Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Botafogo-SP: Ricardo Gomes; Japinha, Marcelo Fernandes, Fonseca e Mário; Douglas, César, Sílvio Donizete (Daniel) e Paulo César (Jorge Rauli); Jajá e Nozé (Marco Aurélio). Técnico: Jorge Vieira



