sexta-feira, 30 de setembro de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Façam como já fizeram

Por Thiago Macedo

Grosso modo, o Palmeiras de hoje tem um obstinado e bem-sucedido operário da repetição, chamado Marcos Assunção e três jogadores que em algum momento já se mostraram acima da média: Marcos, Valdivia e Kleber. Amanhã, contra o América Mineiro no Canindé, Marcos e Kleber estarão fora por algum tipo de incômodo físico, enquanto Valdivia, retornando de lesão, será apenas uma opção para o banco de reservas.

Se na semana passada, a mensagem foi “Já foi pior”, hoje vamos pelo caminho contrário...

O Palmeiras de 1996 devia ter também uns três ou quatro jogadores “diferentes”. Mas, ao contrário do time atual, o restante é que era acima da média. Rivaldo, Djalminha, Luizão, Müller, Cafu e por aí vai. Dá saudade!

Enquanto a gente sonha – e eu confesso que sem muita esperança – que Valdivia, Kleber e Marcos voltem a decidir jogos a nosso favor, em 1996, essa turma aí vivia resolvendo a nossa vida. Em 19 de maio de 1996, contra o Botafogo-SP pelo Paulistão, foi a vez de Djalminha, Müller e Marcos (!) brilharem com a camisa alviverde. Isso mesmo: um ainda candidato a santo – e ainda cabeludo – Marcos fazia o seu primeiro milagre e completava a festa do meia espetacular e do atacante infernal (inspirem-se, Mago e Gladiador!).

Já se vão mais de 15 anos daquela partida no Palestra Itália. Marcos ainda não havia passado à torcida a certeza de que ele era o reserva ideal para Velloso, então dono da camisa um alviverde. Mas, naquela tarde, com o titular suspenso, o menino cabeludo de 22 anos ganhou de Vanderlei Luxemburgo a sua primeira chance de mostrar trabalho.

Na verdade, mostrar trabalho é força de expressão. O Botafogo-SP levou pouquíssimo perigo à meta de Marcos durante toda a partida. Até que...

Até que, quando o Verdão já vencia por 4 a 0, Flávio Conceição cometeu uma falta em Jajá dentro da área, assinalada pelo árbitro paraguaio Epifanio González. Pênalti!

Antes da cobrança de Paulo César, vamos contar como o Palmeiras dos 102 gols chegou a mais uma goleada.

A máquina de Vanderlei Luxemburgo mandou no jogo desde o primeir
o minuto. O primeiro gol, aos 10 minutos, mostra bem a força ofensiva daquele time. A jogada começou com o lateral esquerdo Júnior, que cruzou. O lateral direito Cafu dominou já dentro da área e tocou para Müller. O atacante, que sempre soube jogar simples como ninguém, só rolou para o balaço rasteiro de Djalminha. Um a zero! Vibração dos 21.153 pagantes no Palestra Itália... (Realmente, eram outros tempos!)

Aos 25 minutos de jogo, continuava o show do camisa 10 palmeirense. Gol olímpico de Djalminha, o craque-veneno. Dois a zero, Verdão! Poucos minutos depois, ele abusou da categoria para marcar um gol de placa. Arrancou sozinho do meio-campo, deu um drible desconcertante entre as pernas do marcador na meia-lua, en
trou na área e deu um toquinho pra tirar o goleiro. É de chorar de saudade! Hat-trick do camisa 10 com 31 minutos de jogo!

Já no segundo tempo, aos 14 minutos, foi Müller quem completou a goleada. Flávio Conceição bateu falta de longe com força, a bola tocou na barreira e sobrou para o atacante marcar. Quatro a zero... Naquele dia, o Palmeiras, acostumado a fazer seis, oito gols, deixou barato!

Mas, como o jogo só acaba quando termina, voltemos à marca do pênalti.

Com uma camisa extravagantemente colorida bem à moda dos anos 90, o jovem Marcos estreava em jogos oficiais. Era o primeiro pênalti que ele precisaria defender. Paulo César correu displicentemente. A cobrança não foi boa, é verdade. Ficou claro que a bola ia no canto direito. Marcos se atirou e espalmou para escanteio. A cena que veio a seguir é conhecida e imortalizada.

O camisa 12 se ajoelhou e levantou as mãos para o céu, enquanto era abraçado pelos companheiros. A comemoração de todos os jogadores na defesa de um pênalti que não mudaria em nada o resultado da partida mostrou como era querido aquele promissor arqueiro. Os colegas já pareciam sentir o que toda a nação alviverde veio sentir apenas uns três anos depois: aquele era um jogador especial.

Que, amanhã, Marcos possa relembrar aquela tarde de outono de 15 anos atrás e passar um pouco de inspiração para o grupo! Que Valdivia e Kleber assistam ao vídeo no Youtube (tá fácil: o link tá ali embaixo!) e vejam o que faziam Djalminha e Müller, entre tantas outras feras! E que o Palmeiras volte a ser grande! É otimismo demais esperar que isso possa começar amanhã, no Canindé?

Clique aqui e veja os gols do jogo e a primeira defesa de pênalti de São Marcos

Palmeiras 4 x 0 Botafogo-SP
Palestra Itália

Árbitro: Epifanio González (PAR)

Gols: Djalminha, aos 10, aos 25 e aos 31 minutos do primeiro tempo; e Müller, aos 14 minutos do segundo tempo.

Palmeiras: Marcos; Cafu, Cláudio, Cléber e Júnior; Amaral, Flávio Conceição (Marquinhos), Djalminha (Elivélton) e Rivaldo; Müller (Renaldo) e Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Botafogo-SP: Ricardo Gomes; Japinha, Marcelo Fernandes, Fonseca e Mário; Douglas, César, Sílvio Donizete (Daniel) e Paulo César (Jorge Rauli); Jajá e Nozé (Marco Aurélio). Técnico: Jorge Vieira

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vamos às contas

    Por José Miguel Prestes

    Apesar do grande efeito psicológico que os últimos resultados (e principalmente o futebol jogado) tem trazido em todos os palmeirenses, analisando a tabela atual, a situação parece não ser tão trágica. São apenas 2 pontos separando o Palmeiras do último time na zona de classificação para a Libertadores. No entanto, além de serem 3 equipes à nossa frente (Fluminense, Flamengo e Internacional), as 'molezas' que o Palmeiras teria pela frente já estão se acabando e não foram aproveitadas como se deveria.


    Desde 2006, quando o Brasileirão começou a ser disputado no formato atual, o time que levou a última vaga para a Libertadores com maior pontuação foi o próprio Palmeiras, em 2007: 65 pontos. Sem querer fazer contas mais elaboradas, consideremos esta a pontuação necessária para se garantir a vaga. Neste ano, provavelmente será necessário menos pontos, visto que Vasco e Santos, que já possuem suas vagas garantidas, têm chances de figurar entre os primeiros colocados, 'roubando' pontos das outras equipes.

    Atualmente, o Palmeiras possui 39 pontos, em 26 jogos disputados. Ou seja, faltam 26 pontos nas últimas 12 rodadas. Um aproveitamento de mais de 2 pontos por jogo e que deixa o plano "vitória em casa, empate fora" (que garante a exata média de 2 pontos por jogo), insuficiente. Resumindo, a situação não é nada fácil, apesar do discurso de muitos jogadores. Além disso, alguns dos jogos restantes são clássicos ou contra adversários complicados.

    O que serve de alento é que o nível técnico do adversário não faz muita diferença para o Palmeiras. Pelo menos o baixo nível, não. Resta ver como o 'alto' nível dos próximos adversários (se é que alguém está jogando em alto nível) será sentido pelos palmeirenses, que têm demonstrado extrema falta de atitude  durante os jogos.

    Analisando as rodadas que faltam, o desempenho deveria ser próximo do seguinte:

    A) Obrigação de vitória - Jogos em casa contra América-MG, Fluminense, Figueirense e Coritiba
    B) 2 vitórias em 3 partidas - Jogos fora contra Atlético-MG, Grêmio, Bahia
    C) 2 vitórias em 4 partidas - Santos (F), Flamengo (F), São Paulo (C) e Corinthians (F)

  Qual destes itens seria mais difícil de ser alcançado por nosso time? Todos. Começamos com a 'obrigação' de vencer o América-MG, em casa, no próximo sábado. Um tropeço teria graves consequências, não apenas pela pontuação. É de se bater na madeira neste exato momento...

   Avanti Palestra!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Atlético GO 1 x 1 Palmeiras

A imagem ilustra o tamanho do futebol que o Palmeiras vem apresentando nos ultimos jogos....


Felipão relatou bem o que foi a atuação da equipe nessa última partida pelo brasileirão. É inadmissível uma equipe com dois jogadores a mais apresentar o futebol que apresentou o Palmeiras na noite desse domingo. Como torcedor e como amante do futebol fico indignado com o que vi nessa partida. O Palmeiras parecia que não queria ganhar a partida, era desesperador ver Felipão à beira do gramado pedindo para o time atacar e os zagueiros trocando passes no campo defensivo como se o jogo já estivesse liquidado. De nada adiantou a conversa do presidente Tirone com a equipe, desde aquela partida na semi-final do Paulistao onde a equipe perdeu a vaga nos pênaltis para o Corinthians parece q nunca vi essa equipe jogar com aquele famoso "sangue nos olhos". Luxemburgo, Muricy e agora Felipão, técnicos muito bons que passaram pelo Palestra mas que prejudicaram-se pelas atitudes de alguns jogadores.....

Felipão caminha a passos largos para abandonar o Palmeiras, caso ele peça demissão não tiro a razão dele, todos sabemos como o técnico sabe trabalhar bem esse lado de incentivo aos jogadores, mas se ele não consegue contagiar essa equipe, dificilmente alguém irá conseguir....

Apatia é a única palavra que vêem a cabeça quando se fala em Palmeiras hoje em dia....

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Não nos esqueçamos: já foi pior

Por Thiago Macedo

Se hoje em dia o Palmeiras de Felipão, Marcos Assunção e Kleber anda desanimando até os torcedores mais empolgados, não nos esqueçamos: já foi pior. Não, não estou falando da queda em 2002, não! Não vou tão longe. Há cinco anos (completados exatamente na última quinta-feira), um certo treinador chamado Tite era demitido do Palmeiras. Conhecem?

Atualmente, ele balança com vontade no nosso rival da Marginal sem número. Naquela época, ele não aguentou. Depois de ter que ouvir literalmente calado um “cala boca” do vice de futebol, Salvador Hugo Palaia, Tite caiu.

A gota d’água foi uma derrota por 3 a 2 para o Santa Cruz, no Recife. A derrota deixou o Palmeiras em 15º lugar na tabela, empatado com Goiás e Ponte Preta, que já ocupava a zona de rebaixamento. A luta contra a degola se estendeu até o fim daquele ano e, aos trancos e barrancos, o Palestra se sustentou na Série A.

A curiosidade é que a vida de Tite no Verdão tem números bem redondos: durou exatamente quatro meses ou um turno do Brasileirão.

No dia 21 de maio, ele estreava, em casa, contra quem? Adivinhem! O Santa Cruz.

Na ocasião, o Palmeiras venceu e passou a lanterna da competição aos pernambucanos. Detalhe: em seis rodadas, o Alviverde conquistava apenas seu quarto ponto no campeonato.

Para provar que a situação já foi bem pior do que é hoje em dia, basta dar uma olhadinha no meio-campo que Tite escalou em sua estreia. Francis, Corrêa, Wendel e Paulo Baier. Tá bom ou quer mais?

Mesmo com um homem a mais durante boa parte do jogo, a vitória palmeirense não foi nada fácil. Começou aos quatro minutos de jogo, em um lance que Marcos Assunção e Maurício Ramos assinariam.

Corrêa levantou na área e o zagueirão Leonardo Silva cabeceou no canto direito do goleiro Gilmar para abrir o placar para o Palmeiras. Qualquer semelhança com o time atual é mera coincidência!

Com a vantagem conseguida logo de cara, o Palestra sentou no resultado e tomou pressão dos pernambucanos. Até que, aos 15 minutos, Nenê empatou a partida, num rebote de Sérgio e numa bobeada de Leonardo Silva. Qualquer semelhança é mera coincidência...

Sorte do Palmeiras que, aos 27, Bruno Lança, volante do Santa Cruz, foi convidado a se retirar do gramado depois de uma falta por trás em Washington. Aí, o Palmeiras acordou e foi pra cima. Qualquer semelhança... enfim...

Na volta para o segundo tempo, Tite mexeu no time. Tirou Ilsinho, puxou Paulo Baier para a lateral e colocou Michael no meio-campo. No ataque, trocou Washington por Enílton. Uma substituição assim, meio seis por meia dúzia... Certo?

Errado (pelo menos, naquele dia). Porque o gol da vitória saiu justamente através da dupla que veio do banco. Michael fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Enílton, de cabeça, dar os três pontos – e o alívio – ao Palmeiras. Primeira vitória do time no Brasileirão 2006.

Resumindo: de onde menos se espera é de onde não sai nada mesmo. Ou, se preferir: é impossível fazer omelete sem ovos.

Temos um técnico reconhecidamente bom; um grande goleiro; uma defesa que não deve nada a nenhuma outra por aí; o melhor batedor de faltas do Brasil; um meia que, se parar de se machucar toda hora, pode dar algumas alegrias à torcida, e um excelente atacante, que anda sem tesão.

É o suficiente pra ser campeão? Não! Mas, que dá pra fazer bem mais do que estão fazendo, dá.

Lembrem-se: já foi pior.


Palmeiras 2 x 1 Santa Cruz
Palestra Itália

Árbitro: Giuliano Bozzano (DF)
Assistentes: Renato Miguel Vieira (DF) e Cesar Augusto de Oliveira (DF)

Gols: Leonardo Silva, aos quatro, e Nenê, aos 15 minutos do primeiro tempo; Enílton, aos 33 minutos do segundo tempo.

Palmeiras: Sérgio; Ilsinho (Michael), Thiago Gomes, Leonardo Silva e Márcio Careca; Francis, Corrêa (Muñoz), Wendel e Paulo Baier; Edmundo e Washington (Enílton). Técnico: Tite

Santa Cruz: Gilmar; Osmar, Adriano, Valença e Xavier; Bruno Lança, Júnior Maranhão, Zada e Rosembrick; Val Baiano (Élvis) e Nenê. Técnico: Valdir Espinosa

sábado, 17 de setembro de 2011

Pra sair do discurso

Por José Miguel Prestes

    Com 9 pontos de distância para o líder e na 8ª colocação no Campeonato Brasileiro, o Palmeiras inicia neste domingo uma série de 4 lições de casa que tem a obrigação de cumprir. São jogos contra Avaí, Ceará, Atlético-GO e América-MG, até o clássico contra o Santos. Seriam vitórias normais dentro de um campeonato caso não estivéssemos falando do Brasileirão 2011, onde vencer times que estão abaixo na tabela não é tão comum assim, e, principalmente, se não estivéssemos falando de um time que se acostumou com os tropeços.

    Na última semana, a diretoria palmeirense teve uma grande atitude (é estranho elogiar a diretoria, mas sejamos justos), chamando todo o elenco para conversar, sem a presença da comissão técnica. Uma conversa franca, expondo pontos de insatisfação de ambos os lados e com muita cobrança. Serviu também para mostrar aos jogadores que a diretoria sabe que a razão dos péssimos resultados não é o treinador. Sempre surgem boatos sobre a saída de Felipão, tanto pelas propostas que surgem (ou dizem que surgem), quanto pela disputa eterna de egos na diretoria palmeirense, que conta sempre com várias oposições, não importa contra quem seja.


    Não tem para onde fugir. Pedro Carmona chegou para ser a última contratação do elenco nesta temporada e o planejamento para 2012 já começou a ser feito, com a promessa de contratações de maior peso. Para que a promessa seja cumprida, a vaga para a Libertadores 2012 é essencial. Como resultado da reunião entre diretoria e jogadores, foi fechado um 'pacto' pela vaga na Libertadores. Agora, voltamos a torcer pelos resultados. A intenção foi muito boa. Agora resta ver se terá efeito dentro de campo. Eu (ainda) acredito que sim.

   PS: Para quem não entende o motivo do lateral-direito Paulo Henrique ainda não ter feito nenhum jogo e sequer ser relacionado para um jogo no qual Cicinho será desfalque, informo que o jogador foi trazido ao Palmeiras através de seu empresário, sem nenhum aval de Felipão. Além de não aprovar a contratação, o treinador tenta mostrar que, com ele, os empresários não têm tanto poder assim para 'empurrar' seus jogadores. Seria bom não ter que improvisar na lateral. Mas o Mestre está certo.