sexta-feira, 8 de julho de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Tudo muda o tempo todo

Por Thiago Macedo

Ninguém segurava o K9 em fevereiro... Nem o DS7 em abril

Foram duas semanas de ausência da seção NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA, por motivos pessoais... Desculpem-me os leitores e os colegas do Torcida Real Organizada! Para tentar compensar minha falta, hoje vou falar ao mesmo tempo de dois jogos!

No domingo, vamos enfrentar mais uma vez nosso rival da baixada. Gosto de pegar o Santos! Gosto mesmo! No geral, as lembranças são boas. Lembro-me de goleadas na Vila, lembro-me de vitórias inesquecíveis de grandes times do Palmeiras e, melhor, lembro-me de vitórias marcantes de times medíocres do Verdão. Quem não se lembra das vitórias do ano passado, por exemplo, comandadas por Robert, na Vila, e Éwerthon, no Pacaembu? Meu Deus! Este ano mesmo, o Neymar ciscou, ciscou, ciscou, o Patrik deu um passe de mago e o Gladiador decretou mais uma vitória nossa sobre o Peixe na casa deles.

Bom, vamos voltar, então, a 2009 pra mostrar como o futebol é uma coisa estranha e como a descoberta de um ou dois talentos é capaz de revolucionar todo um time e até um campeonato.

Em 2009, o Palmeiras começou o ano com tudo. Cleiton Xavier tornava-se o camisa 10 ideal, Edmílson dava o tom de experiência no meio e, no ataque – ah, o ataque! – Keirrison deitava e rolava. O bicampeonato paulista parecia questão de tempo.

No dia 8 de fevereiro estava calor em São Paulo. Tão calor que nem a chuva anunciada espantou o torcedor do Palestra Itália para ver o clássico contra o Santos, ainda pela fase de classificação do Campeonato Paulista. E mesmo quando a chuva deixou de ser anunciada e virou o maior toró, ninguém reclamou.

Os 30 primeiros minutos de jogo foram um passeio alviverde. Simplesmente, sete chances claras de gol. Média de uma a cada quatro minutos! Aos 15 minutos, o primeiro golpe. Edmílson aproveitou a bola mal afastada por Fábio Costa e, de meia-bicicleta a la Copa do Mundo de 2002, mandou para as redes. Um a zero. Sete minutos depois, o K9 invadiu a área e foi derrubado pelo goleiro santista. Ele mesmo bateu e ampliou. Antes do fim do primeiro tempo, o Santos ainda esboçou uma reação, mas, no gol do Verdão, Bruno segurava tudo.

Na volta para a segunda etapa, o Palmeiras não deu tempo para o Santos respirar. Willians chutou, Fábio Costa rebateu e Keirrison, livrinho, fez o segundo dele. Três a zero, Palmeiras. O Santos ainda diminuiu com um combalido Kléber Pereira, de peixinho. Mas, o tiro de misericórdia veio a cinco minutos do fim. Em grande estilo.

Cleiton Xavier passou com açúcar e com afeto para Lenny. O garoto deixou Fábio Costa ajoelhado com cara de bobo e fez um belo gol. Palmeiras quatro, Santos um. Êxtase no Palestra Itália. “Santos, o c...., lugar de peixe é dentro aquário”, cantava a torcida verde.

O troco do Peixe, no entanto, veio a cavalo. Pouco mais de dois meses, 69 dias depois, o Santos voltou ao Palestra com cinco jogadores e o técnico diferentes da partida anterior (compare as fichas técnicas lá embaixo). Entre os cinco jogadores, dois que dispensam comentários. Grosso modo, nasciam ali Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Naquele 18 de abril não pareciam os mesmos times de tão pouco tempo antes. Na decisiva partida da semifinal do Paulistão, o Palmeiras estava nervoso. Tinha perdido o jogo de ida por 2 a 1. Precisava vencer. Mas, quem se sentia em casa era o Santos, agora comandado por Vágner Mancini.

Mesmo sem jogar bem, o Verdão tentava pressionar. Mas, aos 17 minutos, Fábio Costa bateu o tiro de meta, Neymar – de onde eu estava na arquibancada, me pareceu com a mão – dominou e tocou para Mádson abrir o placar. O jogo ficou à mercê do Santos.

No segundo tempo, Vanderlei Luxemburgo apostou em Ortigoza e Deyvid Sacconi para reagir. As esperanças, no entanto, foram pelo ralo quando Neymar foi derrubado por Maurício Ramos na área. Pênalti, que Kléber Pereira converteu para fazer dois a zero.

A partir daí, a frustrada torcida verde teve só duas alegrias. A primeira, no frango clamoroso que Fábio Costa engoliu no chute de Pierre, aos 29 minutos.

A segunda, tal qual a alegria sádica dos romanos no Coliseu, quando Vágner Mancini colocou Domingos em campo. A missão dada pelo técnico para mim foi clara: tirar Diego Souza do campo. Como sabemos, nosso ex-camisa sete nunca bateu muito bem da cabeça. Bastou Domingos encostar em Diego e começou a troca de empurrões, que culminou na expulsão dos dois.

Aí começou o show. Enlouquecido, Diego Souza se desvencilhou de todo mundo e voltou ao campo para dar uma bela duma rasteira em Domingos. O Palestra veio abaixo. “Pega! Mata! Porrada!”, a massa queria ver sangue. Politicamente incorreto, este era o único jeito de aliviar a tristeza pela derrota.

Depois de cinco minutos de paralisação, algum veterinário deve ter espetado um dardo tranquilizante em Diego Souza. Domingos deixou o campo com o sorriso da missão cumprida. Tinha feito tudo certinho, provocou, apanhou, fez teatro... Quanto ao jogo, que jogo? Não havia tempo, nem clima para mais nada.

Em pouco mais de dois meses, o Santos deixou para lá Lúcio Flávio, Roni, Bolaños, Róbson... e redescobriu os Meninos na Vila. Enquanto isso, no Palmeiras, um Vanderlei Luxemburgo inoperante nada podia fazer diante do ocaso (que, aliás, já dura dois anos) de Keirrison.

Já dizia Lulu Santos: tudo muda o tempo todo no mundo!

Que neste domingo, mais uma vez, a maré não esteja pra peixe! Vâmo ganhar, Porcô!!!

Palmeiras 4 x 1 Santos
Palestra Itália, 8/2/2009

Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira

Gols: Edmílson, aos 15, e Keirrison, aos 22 minutos do primeiro tempo; Keirrison a um, Kléber Pereira, aos 18 e Lenny, aos 40 minutos do segundo tempo.

Palmeiras: Bruno; Danilo, Edmílson e Jéci; Fabinho Capixaba, Pierre, Cleiton Xavier, Diego Souza (Jumar) e Armero; Willians (Lenny) e Keirrison (Marquinhos). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Santos: Fábio Costa; Adriano, Adaílton, Fabiano Eller e Léo; Roberto Brum (Germano), Rodrigo Souto, Mádson e Lúcio Flávio (Roni); Róbson (Bolaños) e Kléber Pereira. Técnico: Márcio Fernandes


Palmeiras 1 x 2 Santos
Palestra Itália, 18/4/2009

Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho

Gols: Mádson, aos 17 minutos do primeiro tempo; Kléber Pereira, aos seis, e Pierre, aos 29 minutos do segundo tempo.

Palmeiras: Marcos; Fabinho Capixaba, Maurício Ramos, Danilo e Armero; Pierre, Jumar (Ortigoza), Evandro (Marcão) e Diego Souza; Lenny (Deyvid Sacconi) e Keirrison. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Santos: Fábio Costa; Luizinho, Fabão, Fabiano Eller e Triguinho; Germano, Roberto Brum (Pará), Mádson e Paulo Henrique Ganso; Neymar (Domingos) e Kléber Pereira (Roni). Técnico: Vágner Mancini

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