sexta-feira, 15 de julho de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Inspiração para um certo candidato a ídolo

Por Thiago Macedo

Na última década, não foram poucas as vezes que o Palmeiras deu uma mãozinha para o Flamengo, nosso próximo adversário no Brasileirão. Naqueles momentos decisivos em que o time carioca começava a querer abraçar o fantasma do rebaixamento, o Verdão se apresentava como a tábua de salvação. E o pior: eu morava no Rio de Janeiro nesta época. Já viu, né?

Em 2007, mudei para São Paulo. E a tabela do Campeonato Brasileiro, de certa for
ma, também mudou. Naquele ano, o Palmeiras não pegaria o Flamengo na reta final. O rubro-negro seria o rival logo do jogo de estreia do Palestra – em 13 de maio, no Maracanã.

Neste dia, a torcida palmeirense no meu apartamento tinha dobrado de tamanho. No dia das mães, era o Thales, meu irmão, quem estava lá. A expectativa para o jogo, confesso, era quase nenhuma. Primeira partida de um campeonato longuíssimo, o Palmeiras vinha de um Paulistão bem meia-boca e ainda por cima tinha sido eliminado pelo
Ipatinga, um mês antes, na Copa do Brasil. O Flamengo, por sua vez, era o campeão carioca – o que, cá entre nós, não quer dizer muita coisa também.

Surpreendentemente, Flamengo x Palmeiras foi um belo programa para aquela tarde de domingo. Jogo animado. “Cheio de alternativas”, talvez tenham dito os comentaristas naquele dia.

Alternativas que começaram a menos de um minuto, com Valdivia, chutando para a defesa do ex-goleiro Bruno (aquele mesmo...). Mas, a tarde não era do Mago. Quem brilhou naquele palco que tanto conhecia foi um veterano animal. E começou log
o aos três minutos. Edmundo bateu falta do meio da rua. Cruzamento? Chute direto? Na dúvida, melhor para o Verdão. Um a zero.
Com 20 minutos, o jogo já estava dois a zero para os visitantes – no caso, nós. Mais uma vez, o gol surgiu dos pés do camisa sete. Ele bateu escanteio, Valdivia desviou na primeira trave e Osmar completou sozinho dentro da pequena área.

Com a vantagem no placar, o Palmeiras se acomodou. Ainda no primeiro tempo, o Flamengo diminuiu com gol de Claiton, no contrapé de Diego Cavalieri. E empatou, logo no início da segunda etapa, com um golaço de Renato Augusto.

A cara do jogo mudou completamente e dava toda pinta de que os rubro-negros estavam mais próximos de desempatar o placar. E teria acontecido a virada, não fosse uma belíssima defesa de Cavalieri cara a cara com Juan. Estrear com um empate fora de casa com o Flamengo até que não era tão ruim, mas para quem começou vencendo por dois a zero seria um baita balde de água fria. Seria...

Não foi. Porque, aos 19 do segundo tempo, Leandro cruzou rasteiro e Florentín – lembra? – tocou para marcar para o Verdão. (O atacante paraguaio não teve grande destaque pelo Palmeiras. Fez apenas oito jogos e marcou três gols. Em março de 2010, quando jogava pelo Sportivo Luqueño, de seu país, faleceu em um acidente de carro, aos 26 anos.)

Os números finais do placar vieram com Edmundo, que recebeu lançamento de Valdivia e bateu no alto, para se tornar, naquele momento, o terceiro maior goleador da história do Brasileirão, empatado com Zico: 135 gols (O animal se aposentou com 153 gols, isolado na terceira posição).

Palmeiras, quatro, Flamengo, dois. Para acabar com a uruca de enfrentar o urubu e com a pequena escrita de seis anos sem vencer na estreia em Campeonatos Brasileiros.

Naquela tarde, Edmundo mostrou mais uma vez porque é ídolo eterno no Palestra. Um certo camisa 30 bem que poderia assistir aos lances daquela partida e se inspirar para pôr um ponto final nas polêmicas recentes.

Pelo menos, por enquanto. No Palestra Itália, as polêmicas parecem nunca ter um ponto final.


Flamengo 2 x 4 Palmeiras
Maracanã

Árbitro: Héber Roberto Lopes (PR)

Gols: Edmundo, aos três; Osmar, aos 20; e Claiton, aos 33 minutos do primeiro tempo; Renato Augusto, aos quatro; Florentín, aos 19; e Edmundo, aos 32 minutos do segundo tempo.

Flamengo: Bruno; Léo Moura, Irineu, Ronaldo Angelim e Juan; Claiton, Paulinho, Renato e Renato Augusto; Roni (Bruno Mezenga) e Paulo Sérgio. Técnico: Nei Franco

Palmeiras: Diego Cavalieri; Wendel, Dininho, David e Leandro; Pierre, Martinez, Michael (Florentín) e Valdivia (Caio); Edmundo e Osmar (Marcelo Costa). Técnico: Caio Júnior

Um comentário:

  1. Olhando essa escalação entendemos um pouco o porquê de termos atravessado um período tão negro nos últimos anos... Edmundo, em final de carreira, e Valdivia, ainda ensaiando suas magias, eram os salvadores da pátria! Time que tem salvador da pátria não vai longe...

    O Mestre encaixou o time com a sua cara e temos um elenco muito mais equilibrado! Não digo brilhante, mas equilibrado. Tirando os eternos tumultos de bastidores, as coisas melhoraram e muito.

    Avanti Palestra!

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