
Por Thiago Macedo
Vinte e dois de agosto de 2009. Fui ao Palestra Itália para ver o Verdão pegar o Internacional pelo Brasileirão. Verdão? Mais ou menos...
Naquele dia, o Palmeiras lançava sua terceira camisa. Azul! A princípio, não gostei. Mas, depois, fui vendo, peguei na mão em uma loja, analisei com carinho. E adorei! Achei linda! Queria uma pra mim. Só não comprei porque não tinha dinheiro... O que é o marketing!Antes da partida começar, um telão no meio do campo exibiu o vídeo de lançamento da camisa. Guerreiros, a mítica cruz de savoia vermelha no peito... uma superprodução de empolgar qualquer torcedor!
Não me dei o trabalho de contar, mas não foram poucas as vezes que o Palmeiras trocou de uniforme nesses quase dois anos que nos separam daquela partida contra o Inter. A azul foi abandonada depois do fiasco de liderar um campeonato inteiro e, no fim, ficar fora até da Libertadores. Dava azar. Trouxeram de volta a verde-limão. Dava sorte. Não foi bem assim...Mudou o patrocinador, homenagearam as cinco coroas, aposentaram a verde-limão. Criaram uma com cara de camisa de rúgbi, listrada. Bonita. Azar por azar, a Sul-Americana tá aí pra nos atormentar a lembrança... Botaram patrocinador novo na manga, ajustaram a modelagem, homenagearam os campeões mundiais de 1951.
Haja grana para o torcedor acompanhar tanta mudança!
Negócios.
Naquele dia de agosto, tudo azul para o Verdão. O time de Muricy Ramalho jogou bem, não deu chances para o Colorado e se manteve na ponta do Brasileirão.
Aos 39 minutos do primeiro tempo, Diego Souza fez boa jogada individual, entrou na área e foi derrubado. Obina cobrou o pênalti e abriu o placar para o Palestra, depois de quase um mês sem marcar. Antes desse, seus últimos tentos tinham sido aqueles três contra o Corinthians. Atuação impecável e inesquecível.
Na volta do segundo tempo, logo aos dois minutos, Diego Souza fez novamente uma bela jogada e Ortigoza (mistura do Coalhada com o Antonio Banderas) marcou. Dois a zero. O Inter pressionou até o fim, mas só conseguiu diminuir o placar aos 41, com um golaço do ainda muito menino Giuliano.
Futebol.
Quando penso naquele jogo, não é futebol que me vem à cabeça. Os negócios falam mais alto. Gritam!
Dois camisas 10 de grande talento no deserto que vivemos atualmente. Cleiton Xavier e Giuliano. Diga aí, de bate-pronto, onde estão? Bom, antes que você precise recorrer ao Google, eu digo: Metalist Kharkiv e Dnipro, respectivamente. Trocando em miúdos: estão passando frio e ganhando dinheiro na Ucrânia.
Dois atacantes que, provavelmente, seriam titulares em qualquer time do Brasileirão-11 – no Palmeiras, sem dúvida. Taison e Obina. Nova tentativa. Onde estão? Vou quebrar seu galho novamente: Taison é companheiro do CX10 nos amarelinhos da Ucrânia e Obina, o mito, faz seus golzinhos com a camisa 10 do sensacional Shandong Luneng, da China.
Hoje, o Palmeiras precisa desesperadamente de um substituto para o Mago Valdivia, cuja varinha quebrada parece não ter conserto. Precisamos também de um 9 para dialogar com Kleber, já que o Felipão parece não confiar muito no Wellington Paulista. Cleiton Xavier e Obina não caberiam ali? Até mesmo o Ortigoza, que está lutando por espaço no Cruzeiro, não seria uma boa opção?
E, por outro lado, falando dos dois primeiros, se estivessem por aqui, não teriam mais chance de mostrar a cara para o torcedor, virarem ídolos, sonharem com uma seleção brasileira?
Giuliano. Melhor jogador da Libertadores 2010. Vinte e um anos recém-completados. Participou de todas as seleções brasileiras de base. Não conseguiria um destino melhor? Não estaria cotado para ir à Copa América no próximo mês? A Juventus tem um meia como ele? O Sevilla tem? E tantos outros ingleses, alemães, portugueses...?
Não dá pra julgar, eu sei. O maior contra-cheque que já abri não deve ter passado muito de R$ 4 mil. Provavelmente, nunca saberei o que é ganhar R$ 20 mil, por exemplo. E é isso que deve ganhar um reserva desconhecido em começo de carreira no Palmeiras. Então, imagine o que ganha o Giuliano na Ucrânia ou o Obina na China.
E sempre vai haver aquela velha história. E se o jogador diz não à proposta milionária e quebra a perna? E se ele diz não e a carreira não deslancha? Vide o caso do Deyvid Sacconi. Em sua“melhor” fase no Palmeiras, teve proposta do Nantes, da França. O negócio não deu certo. O Palmeiras até comemorou sua permanência. Pouco mais de um ano depois, foi dispensado pelo Náutico e repassado para o Bragantino, sem nem um“alô” de Felipão.
Mas, negócios à parte, não duvido– e não duvide você também – que o Palmeiras sente muita saudade do Cleiton Xavier e do Obina (apesar dos tapas trocados com Maurício – uma bobagem dele e também do clube, em dispensá-lo por isso), assim como o Inter sente do Giuliano e do Taison.
E garanto que, pequenas fortunas à parte, todos eles não pensariam duas vezes em deixar a vida estrangeira e voltar para seus ex-clubes. Quer apostar que, até o fim do ano, vai aparecer pelo menos meia dúzia de especulações, envolvendo estes quatro jogadores e clubes brasileiros?
Se vai comprar de volta, por que vende?
Se vai voltar em breve, por que diz “adeus”?
Pode parecer ingênuo demais da minha parte, mas é tão difícil de entender certas coisas...
Palmeiras 2 x 1 Internacional
Palestra Itália
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (DF)
Assistentes: Eremilson Xavier Macedo e João Antonio Sousa Paulo Neto (DF)
Gols: Obina, aos 39 minutos do primeiro tempo; Ortigoza, aos dois, e Giuliano, aos 41 minutos do segundo tempo.
Palmeiras: Marcos; Wendel, Maurício, Danilo e Armero; Edmílson (Jumar), Souza, Cleiton Xavier (Deyvid Sacconi) (Sandro Silva) e Diego Souza; Ortigoza e Obina. Técnico: Muricy Ramalho
Internacional: Lauro; Danilo Silva, Danny Morais, Sorondo e Kléber; Guiñazu, Sandro, Giuliano e Andrezinho (Wagner Libano); Taison (Bolaños) e Alecsandro. Técnico: Tite
Vinte e dois de agosto de 2009. Fui ao Palestra Itália para ver o Verdão pegar o Internacional pelo Brasileirão. Verdão? Mais ou menos...
Naquele dia, o Palmeiras lançava sua terceira camisa. Azul! A princípio, não gostei. Mas, depois, fui vendo, peguei na mão em uma loja, analisei com carinho. E adorei! Achei linda! Queria uma pra mim. Só não comprei porque não tinha dinheiro... O que é o marketing!Antes da partida começar, um telão no meio do campo exibiu o vídeo de lançamento da camisa. Guerreiros, a mítica cruz de savoia vermelha no peito... uma superprodução de empolgar qualquer torcedor!
Não me dei o trabalho de contar, mas não foram poucas as vezes que o Palmeiras trocou de uniforme nesses quase dois anos que nos separam daquela partida contra o Inter. A azul foi abandonada depois do fiasco de liderar um campeonato inteiro e, no fim, ficar fora até da Libertadores. Dava azar. Trouxeram de volta a verde-limão. Dava sorte. Não foi bem assim...Mudou o patrocinador, homenagearam as cinco coroas, aposentaram a verde-limão. Criaram uma com cara de camisa de rúgbi, listrada. Bonita. Azar por azar, a Sul-Americana tá aí pra nos atormentar a lembrança... Botaram patrocinador novo na manga, ajustaram a modelagem, homenagearam os campeões mundiais de 1951.
Haja grana para o torcedor acompanhar tanta mudança!
Negócios.
Naquele dia de agosto, tudo azul para o Verdão. O time de Muricy Ramalho jogou bem, não deu chances para o Colorado e se manteve na ponta do Brasileirão.
Aos 39 minutos do primeiro tempo, Diego Souza fez boa jogada individual, entrou na área e foi derrubado. Obina cobrou o pênalti e abriu o placar para o Palestra, depois de quase um mês sem marcar. Antes desse, seus últimos tentos tinham sido aqueles três contra o Corinthians. Atuação impecável e inesquecível.
Na volta do segundo tempo, logo aos dois minutos, Diego Souza fez novamente uma bela jogada e Ortigoza (mistura do Coalhada com o Antonio Banderas) marcou. Dois a zero. O Inter pressionou até o fim, mas só conseguiu diminuir o placar aos 41, com um golaço do ainda muito menino Giuliano.
Futebol.
Quando penso naquele jogo, não é futebol que me vem à cabeça. Os negócios falam mais alto. Gritam!
Dois camisas 10 de grande talento no deserto que vivemos atualmente. Cleiton Xavier e Giuliano. Diga aí, de bate-pronto, onde estão? Bom, antes que você precise recorrer ao Google, eu digo: Metalist Kharkiv e Dnipro, respectivamente. Trocando em miúdos: estão passando frio e ganhando dinheiro na Ucrânia.
Dois atacantes que, provavelmente, seriam titulares em qualquer time do Brasileirão-11 – no Palmeiras, sem dúvida. Taison e Obina. Nova tentativa. Onde estão? Vou quebrar seu galho novamente: Taison é companheiro do CX10 nos amarelinhos da Ucrânia e Obina, o mito, faz seus golzinhos com a camisa 10 do sensacional Shandong Luneng, da China.
Hoje, o Palmeiras precisa desesperadamente de um substituto para o Mago Valdivia, cuja varinha quebrada parece não ter conserto. Precisamos também de um 9 para dialogar com Kleber, já que o Felipão parece não confiar muito no Wellington Paulista. Cleiton Xavier e Obina não caberiam ali? Até mesmo o Ortigoza, que está lutando por espaço no Cruzeiro, não seria uma boa opção?
E, por outro lado, falando dos dois primeiros, se estivessem por aqui, não teriam mais chance de mostrar a cara para o torcedor, virarem ídolos, sonharem com uma seleção brasileira?
Giuliano. Melhor jogador da Libertadores 2010. Vinte e um anos recém-completados. Participou de todas as seleções brasileiras de base. Não conseguiria um destino melhor? Não estaria cotado para ir à Copa América no próximo mês? A Juventus tem um meia como ele? O Sevilla tem? E tantos outros ingleses, alemães, portugueses...?
Não dá pra julgar, eu sei. O maior contra-cheque que já abri não deve ter passado muito de R$ 4 mil. Provavelmente, nunca saberei o que é ganhar R$ 20 mil, por exemplo. E é isso que deve ganhar um reserva desconhecido em começo de carreira no Palmeiras. Então, imagine o que ganha o Giuliano na Ucrânia ou o Obina na China.
E sempre vai haver aquela velha história. E se o jogador diz não à proposta milionária e quebra a perna? E se ele diz não e a carreira não deslancha? Vide o caso do Deyvid Sacconi. Em sua“melhor” fase no Palmeiras, teve proposta do Nantes, da França. O negócio não deu certo. O Palmeiras até comemorou sua permanência. Pouco mais de um ano depois, foi dispensado pelo Náutico e repassado para o Bragantino, sem nem um“alô” de Felipão.
Mas, negócios à parte, não duvido– e não duvide você também – que o Palmeiras sente muita saudade do Cleiton Xavier e do Obina (apesar dos tapas trocados com Maurício – uma bobagem dele e também do clube, em dispensá-lo por isso), assim como o Inter sente do Giuliano e do Taison.
E garanto que, pequenas fortunas à parte, todos eles não pensariam duas vezes em deixar a vida estrangeira e voltar para seus ex-clubes. Quer apostar que, até o fim do ano, vai aparecer pelo menos meia dúzia de especulações, envolvendo estes quatro jogadores e clubes brasileiros?
Se vai comprar de volta, por que vende?
Se vai voltar em breve, por que diz “adeus”?
Pode parecer ingênuo demais da minha parte, mas é tão difícil de entender certas coisas...
Palmeiras 2 x 1 Internacional
Palestra Itália
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (DF)
Assistentes: Eremilson Xavier Macedo e João Antonio Sousa Paulo Neto (DF)
Gols: Obina, aos 39 minutos do primeiro tempo; Ortigoza, aos dois, e Giuliano, aos 41 minutos do segundo tempo.
Palmeiras: Marcos; Wendel, Maurício, Danilo e Armero; Edmílson (Jumar), Souza, Cleiton Xavier (Deyvid Sacconi) (Sandro Silva) e Diego Souza; Ortigoza e Obina. Técnico: Muricy Ramalho
Internacional: Lauro; Danilo Silva, Danny Morais, Sorondo e Kléber; Guiñazu, Sandro, Giuliano e Andrezinho (Wagner Libano); Taison (Bolaños) e Alecsandro. Técnico: Tite
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