Por Thiago Macedo
Desde o início, a mecânica da seção Na Memória e Na História é bem simples. Dou uma espiada na tabela, vejo quem o Palmeiras vai enfrentar no fim de semana e dou ouvidos à primeira lembrança (boa, de preferência) que me vem à cabeça. Nem sempre funciona. Às vezes, não vem nada. Alguns jogos não têm passado. O que escrever de Palmeiras x Mirassol, por exemplo?
No Brasileirão, tem dado certo até agora. Foi assim com Botafogo (leia aqui) e Cruzeiro (leia aqui). Agora, é a vez do Atlético Paranaense. E a primeira lembrança que me ocorreu deste jogo seria trágica, se não fosse cômica – ou vice-versa.
O ano de 2010 foi um marco na minha vida de torcedor. Assisti a cinco jogos no estádio e as estatísticas dão a qualquer um o direito de me chamar de pé frio. Foram quatro derrotas. Vi o time perder para a Ponte Preta no Paulistão, naquele que talvez tenha sido o único bom jogo de futebol do tal do Tinga. Assisti do tobogã do Pacaembu à nossa derrota para o Flamengo, com gol do ingrato do Vágner Love. Presenciei sem entender nada o massacre que o Atlético Goianiense nos impôs dentro de casa em pleno aniversário do clube. E, tristeza das tristezas, fui testemunha da inexplicável eliminação da Copa Sul-Americana pelas mãos, ou melhor, cabeças dos verdes de Goiás.
Naquele momento, a certeza da minha zica foi tão grande, que fiz uma promessa da qual talvez me arrependa, mas que pretendo cumprir: só volto a um estádio de futebol para ver o Palmeiras, depois que o clube for campeão de alguma coisa. Qualquer coisa. Bom, radicalismos à parte, não vamos perder o foco...
Entre tantas derrotas, houve, sim, uma vitória em 2010. Foi lá no longínquo 15 de abril. Era o primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, diante do Atlético Paranaense. Sinceramente, não tenho muito o que falar daquela partida. A não ser por um fato inédito na minha vida. Pela primeira vez, não vi o gol do
jogo.
Jogos de futebol no Palestra Itália em dias de semana antes das 20 horas deveriam ser proibidos. Ou você sai do trabalho no meio da tarde, ou você não vai chegar a tempo. O trânsito na região fica insuportável, as filas para comprar ingresso e entrar no estádio dão voltas e voltas no quarteirão e, na angústia de perder os primeiros minutos da partida, torcedores fazem piada da situação com o ouvido colado no radinho.
Pê da vida, eu fazia isso, no último jogo a que assisti no velho Palestra – saudade! Os “ahhhhhhh” e os“uhhhhhhh” da galera dentro do estádio se antecipavam ao narrador no meu celular e tiravam toda surpresa nos lances de perigo. Mesmo assim, ainda na fila, vibrei aos 14 minutos.
Pelo que ouvi na hora e vi depois, perdi um belo gol. Edinho entrou na área pela direita e, de calcanhar, rolou para Robert bater cruzado. Um a zero.
Entrei no estádio com aquele astral lá em cima. Era até então a partida do Palmeiras com maior público no ano. Mas, nada além do gol do contestado Robert (para mim, sempre um bom reserva) aconteceu.
Nada, nada, nada... é exagero. Durante todo o jogo, houve uma disputa à parte entre Paulo Baier e Marcos nas bolas paradas. Durante todo o jogo, não. Apenas até o tiozinho com cara de gerente de banco – maior artilheiro do Brasileirão na era dos pontos corridos, é verdade –ser expulso. Foi a segunda e última alegria da torcida verde naquela noite.
Ah, aquela partida também marcou a estreia do Paulo Henrique, no Palmeiras. Quem? O Paulo Henrique, não se lembra dele? Um centroavante bundudo, com mobilidade reduzida e que não deixou saudade na torcida. Outro dia, vi uma matéria sobre ele. Aos 22 anos, ele terminou a temporada 2010-2011 como artilheiro do Campeonato Belga, com 22 gols em 36
jogos. Uau! Não é nada, não é nada... Não é nada mesmo!
Mas, foi isso, pessoal... Na única vitória do Palmeiras que presenciei ao vivo e em cores no estádio, não vi o gol. Aliás, esse foi o único balançar de redes do Verdão nos quatro jogos que vi antes da fatídica derrota para o Goiás na Sul-Americana, quando houve um golzinho do Luan.
Resumo da ópera: em 2010, não vi gol, não vi vitória, não vi futebol. Um ano futebolisticamente jogado fora.
De resto, espero que meu retorno aos gramados não demore a chegar.
Palmeiras 1 x 0 Atlético-PR
Palestra Itália
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Gol: Robert, aos 14 minutos do primeiro tempo.
Palmeiras: Marcos; Márcio Araújo, Danilo, Léo e Armero; Pierre, Edinho, Figueroa (Marquinhos) e Lincoln (Paulo Henrique); Diego Souza e Robert (Éwerthon). Técnico: Antônio Carlos Zago
Atlético-PR: Neto; Manoel, Rhodolfo e Chico; Raul (Patrick), Valencia, Alan Bahia, Paulo Baier e Márcio Azevedo; Netinho (Marcelo) e Javier Toledo (Fransérgio). Técnico: Leandro Niehues
Desde o início, a mecânica da seção Na Memória e Na História é bem simples. Dou uma espiada na tabela, vejo quem o Palmeiras vai enfrentar no fim de semana e dou ouvidos à primeira lembrança (boa, de preferência) que me vem à cabeça. Nem sempre funciona. Às vezes, não vem nada. Alguns jogos não têm passado. O que escrever de Palmeiras x Mirassol, por exemplo?
No Brasileirão, tem dado certo até agora. Foi assim com Botafogo (leia aqui) e Cruzeiro (leia aqui). Agora, é a vez do Atlético Paranaense. E a primeira lembrança que me ocorreu deste jogo seria trágica, se não fosse cômica – ou vice-versa.
O ano de 2010 foi um marco na minha vida de torcedor. Assisti a cinco jogos no estádio e as estatísticas dão a qualquer um o direito de me chamar de pé frio. Foram quatro derrotas. Vi o time perder para a Ponte Preta no Paulistão, naquele que talvez tenha sido o único bom jogo de futebol do tal do Tinga. Assisti do tobogã do Pacaembu à nossa derrota para o Flamengo, com gol do ingrato do Vágner Love. Presenciei sem entender nada o massacre que o Atlético Goianiense nos impôs dentro de casa em pleno aniversário do clube. E, tristeza das tristezas, fui testemunha da inexplicável eliminação da Copa Sul-Americana pelas mãos, ou melhor, cabeças dos verdes de Goiás.
Naquele momento, a certeza da minha zica foi tão grande, que fiz uma promessa da qual talvez me arrependa, mas que pretendo cumprir: só volto a um estádio de futebol para ver o Palmeiras, depois que o clube for campeão de alguma coisa. Qualquer coisa. Bom, radicalismos à parte, não vamos perder o foco...
Entre tantas derrotas, houve, sim, uma vitória em 2010. Foi lá no longínquo 15 de abril. Era o primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, diante do Atlético Paranaense. Sinceramente, não tenho muito o que falar daquela partida. A não ser por um fato inédito na minha vida. Pela primeira vez, não vi o gol do
jogo.
Jogos de futebol no Palestra Itália em dias de semana antes das 20 horas deveriam ser proibidos. Ou você sai do trabalho no meio da tarde, ou você não vai chegar a tempo. O trânsito na região fica insuportável, as filas para comprar ingresso e entrar no estádio dão voltas e voltas no quarteirão e, na angústia de perder os primeiros minutos da partida, torcedores fazem piada da situação com o ouvido colado no radinho.Pê da vida, eu fazia isso, no último jogo a que assisti no velho Palestra – saudade! Os “ahhhhhhh” e os“uhhhhhhh” da galera dentro do estádio se antecipavam ao narrador no meu celular e tiravam toda surpresa nos lances de perigo. Mesmo assim, ainda na fila, vibrei aos 14 minutos.
Pelo que ouvi na hora e vi depois, perdi um belo gol. Edinho entrou na área pela direita e, de calcanhar, rolou para Robert bater cruzado. Um a zero.
Entrei no estádio com aquele astral lá em cima. Era até então a partida do Palmeiras com maior público no ano. Mas, nada além do gol do contestado Robert (para mim, sempre um bom reserva) aconteceu.
Nada, nada, nada... é exagero. Durante todo o jogo, houve uma disputa à parte entre Paulo Baier e Marcos nas bolas paradas. Durante todo o jogo, não. Apenas até o tiozinho com cara de gerente de banco – maior artilheiro do Brasileirão na era dos pontos corridos, é verdade –ser expulso. Foi a segunda e última alegria da torcida verde naquela noite.
Ah, aquela partida também marcou a estreia do Paulo Henrique, no Palmeiras. Quem? O Paulo Henrique, não se lembra dele? Um centroavante bundudo, com mobilidade reduzida e que não deixou saudade na torcida. Outro dia, vi uma matéria sobre ele. Aos 22 anos, ele terminou a temporada 2010-2011 como artilheiro do Campeonato Belga, com 22 gols em 36
jogos. Uau! Não é nada, não é nada... Não é nada mesmo!
Mas, foi isso, pessoal... Na única vitória do Palmeiras que presenciei ao vivo e em cores no estádio, não vi o gol. Aliás, esse foi o único balançar de redes do Verdão nos quatro jogos que vi antes da fatídica derrota para o Goiás na Sul-Americana, quando houve um golzinho do Luan.
Resumo da ópera: em 2010, não vi gol, não vi vitória, não vi futebol. Um ano futebolisticamente jogado fora.
De resto, espero que meu retorno aos gramados não demore a chegar.
Palmeiras 1 x 0 Atlético-PR
Palestra Itália
Árbitro: Marcelo de Lima Henrique (RJ)
Gol: Robert, aos 14 minutos do primeiro tempo.
Palmeiras: Marcos; Márcio Araújo, Danilo, Léo e Armero; Pierre, Edinho, Figueroa (Marquinhos) e Lincoln (Paulo Henrique); Diego Souza e Robert (Éwerthon). Técnico: Antônio Carlos Zago
Atlético-PR: Neto; Manoel, Rhodolfo e Chico; Raul (Patrick), Valencia, Alan Bahia, Paulo Baier e Márcio Azevedo; Netinho (Marcelo) e Javier Toledo (Fransérgio). Técnico: Leandro Niehues
Caramba, hein, Thiago! Nem vou insistir pra vc ir ao jogo de amanhã! uhahua
ResponderExcluirEspero que vc esteja de volta aos estádios muito em breve...
Abraço!