sexta-feira, 20 de maio de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Torcedor 1 x 0 Profissional


Neste domingo, às 16 horas, em São José do Rio Preto, o Palmeiras estreia no Brasileirão contra o Botafogo. O confronto com o rival carioca, com certeza, é a partida a que eu mais assisti in loco. Desde que fui morar no Rio de Janeiro, em 2005, acompanhei três Botafogo x Palmeiras, em três estádios diferentes. O balanço é positivo. Duas vitórias e uma derrota.


Perdi no Engenhão a partida que marcou a despedida de Valdivia do Palmeiras em sua primeira passagem, em 2008. Um a zero, Botafogo. Antes, já havia ganhado no Maracanã, por 3 a 1, em dia de Enílton (!) e Paulo Baier, em 2006. Mas, as melhores lembranças que tenho de Palmeiras e Botafogo vêm de um jogo do Brasileirão de 2005. Nem antes, nem depois, eu nunca acompanhei o Verdão tão de perto quanto naquele 8 de outubro.


Até então, com 21 anos, eu havia assistido a apenas um jogo do Palmeiras, contra o Figueirense, quando ainda morava em Florianópolis. Com pouco mais de dois meses de estágio no Sportv, no Rio de Janeiro, apareceu a oportunidade. Botafogo e Palmeiras, no acanhadíssimo estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador, já que o Maracanã passava por reformas para os Jogos Panamericanos.


A transmissão do jogo seria da TV Globo, não do Sportv. “No meio da semana, faremos Vasco e Inter. Por que você não deixa para ir nesse jogo, que é nosso?”, questionou um coordenador da área de eventos do canal. A resposta foi simples: “Porque eu sou palmeirense, oras”. Depois de alguma insistência, consegui o aval para acompanhar a equipe da Globo.


No domingo, depois do almoço, fui até a famosa sede da Vênus Platinada, no Jardim Botânico. Caipirão, fiquei quase mudo ao encontrar a lenda Léo Batista. Simpatissíssimo, o velhinho me surpreendeu ao mostrar que conhecia até minha pequena Santa Mariana natal.


Partimos para o estádio. A ideia era que eu ficasse na arquibancada, mas graças à várzea que é o futebol brasileiro, pude ficar dentro do campo, sem fazer nada, só para assistir ao jogo. Do alto da minha paixão e do baixo do meu profissionalismo, questionei ao repórter que me acompanhava se eu poderia me arriscar a pedir uma camisa do Palmeiras a algum jogador. Ele deixou claro que não era uma atitude muito profissional, mas como eu era apenas um estagiário... “Só não vai pedir pro Juninho Paulista, que ele é meio estrelinha!” Ok.


Fiquei atrás das placas de publicidade no gol onde o Verdão atacou no primeiro tempo. Se pegarem a gravação do jogo, é capaz que eu apareça ali. Muito, muito perto mesmo. Um sonho.


Desde o começo da partida, o limitado time do Palmeiras, com Marcinho e Gioino no ataque, ditava o ritmo. Pressionava o Botafogo. Parecia jogar em casa na Arena da Ilha do Governador, um estádio pequeno, com cara de interior.


Aos 27 minutos, o gol do Alviverde saiu na minha cara. Marcinho Guerreiro – quem diria! – invadiu a área pela esquerda e bateu com categoria para vencer o goleiro Max. Um a zero. E foi o suficiente para o primeiro tempo.


No intervalo, os jogadores passavam ao meu lado a caminho do vestiário e eu pensava se teria outra chance daquela. Após os 15 minutos, não resisti. Foquei num jogador menos conhecido, bem meia-boca mesmo, e ataquei. Quando o reserva Washington (esse mesmo que fez os dois gols do Ceará que eliminaram o Flamengo da Copa do Brasil) passou do meu lado, o puxei pelo braço e inventei: “Cara, meu irmãozinho é palmeirense e queria muito ter vindo ao jogo, mas quebrou a perna. Ele iria ficar muito feliz se eu levasse uma camisa do Palmeiras para ele... bla... bla... bla...” O Washington, mais zé-ninguém à época do que hoje em dia, me explicou que não poderia dar a camisa, provavelmente já prometida a algum porteiro, síndico, vizinho, primo, amigo ou sei lá o quê. Fazer o quê, né?


No segundo tempo, me posicionei na linha de impedimento do ataque do Palmeiras. Bem longe de enxergar o pênalti que Alex Alves bateu, aos cinco minutos, para empatar para o Botafogo. Mas, muito perto de ver o gol da vitória do Palmeiras, aos 16. Corrêa cruzou e Marcinho, de frente para mim, cabeceou no canto esquerdo de Max. A bola ainda tocou a trave antes de entrar. Com esse tento, ele assumia a vice-artilharia do Brasileirão.


O Botafogo ainda buscou o empate. Lembro-me bem do Caio, hoje comentarista da Globo, se aquecendo do meu lado para entrar, antes de perder uma grande chance cara a cara com Marcos no fim do jogo.


Depois do apito final, acompanhei tudo de perto. A torcida do Botafogo indo embora revoltada. As entrevistas coletivas improvisadas dentro de um trailler. O Marcinho conversando com um amigo bem na minha frente, com a camisa palestrina na mão...


Dessa vez, segurei a vontade de pedir para mim o manto alviverde usado pelo artilheiro. Já era hora do profissional tentar empatar esse jogo.




Botafogo 1 x 2 Palmeiras


Luso-Brasileiro (Rio de Janeiro)



Árbitro: Héber Roberto Lopes (PR)


Assistentes: Roberto Braatz e Faustino Vicente Lopes (PR)



Gols: Marcinho Guerreiro, aos 27 minutos do primeiro tempo; Alex Alves, aos cinco, e Marcinho, aos 16 minutos do segundo tempo.



Botafogo: Max; Ruy (Rogério Souza), Rafael Marques, Scheidt e Bill; Jonílson, Diguinho, Zé Roberto (Almir) e Ramon (Caio); Ricardinho e Alex Alves. Técnico: Celso Roth



Palmeiras: Marcos; André Cunha (Roger Bernardo), Daniel, Gláuber e Fabiano; Marcinho Guerreiro, Corrêa, Juninho Paulista e Diego Souza (Pedrinho); Marcinho e Gioino (Warley). Técnico: Emerson Leão

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