Por Thiago Macedo
Na última rodada do Paulistão, o Palmeiras venceu o Bragantino com a participação decisiva de Thiago Heleno, que marcou duas vezes no Canindé. Zagueiro goleador não é novidade na história do Palmeiras. Sabe quem foi o artilheiro do time na conquista da Libertadores de 99? Esqueça Oséas, Paulo Nunes, Evair... Nada disso! Foi o Júnior Baiano! É isso mesmo! Júnior Baiano fez cinco gols, contra quatro do Oséas e do Alex, e três do Arce e do Paulo Nunes.
Isso me faz lembrar outro becão que gostava de marcar seus golzinhos com a maglia alviverde: Cléber, ou melhor, Clebão! Sempre sério e competente, o zagueiro foi o protagonista da partida que hoje vamos relembrar. Santos 0 x 6 Palmeiras, em plena Vila Belmiro. Fez dois dos seus 21 gols marcados em 372 jogos pelo Palestra.
O mais curioso é que esse jogo me foi sugerido pelo mais fanático santista que conheço: meu amigo Coqueiro. Em 24 de março de 1996, o Coqueiro morava em Santos, mais perto do que nunca de sua grande paixão. O momento do time da Vila não era bom. Está certo que três meses antes havia sido vice-campeão brasileiro em uma polêmica decisão contra o Botafogo, de Túlio Maravilha, mas o início ruim no Paulistão derrubou o técnico Candinho.
Por outro lado, o Palmeiras estava vivendo os primeiros meses daquele que, para mim, foi o maior time que vi jogar com a camisa verde. Muller, um dos craques da época, até hoje diz que aquela foi a melhor a equipe em que jogou. E, vejam bem, ele jogou três Copas do Mundo e ainda foi campeão do mundial interclubes pelo São Paulo!
Naquele domingo, Coqueiro estava na Vila, como de costume. O que havia de diferente era a companhia. Depois de muita insistência, finalmente, Coqueiro conseguiu convencer sua esposa (“suposta são-paulina”, como ele mesmo diz) a assistir a uma partida do Peixe com ele.
O time que eles viram entrar em campo estava muito desfalcado devido a lesões e suspensões. As boas notícias eram o retorno de Jamelli, depois de passar dois meses com a seleção pré-olímpica, e a grande fase do dono da camisa dez de Pelé. Depois de dar show no Brasileirão 95, Giovanni foi o artilheiro do Paulistão 96.
O primeiro tempo da partida, que daria o título do primeiro turno ao Palmeiras, não deixou ninguém respirar. Com 24 minutos, o Palmeiras já vencia por 3 a 0. E a descrição dos gols é de matar de desgosto qualquer palestrino que frequenta as arquibancadas em jogos do time atual. Vamos lá...
No primeiro, Muller cruzou da esquerda para Rivaldo, de peixinho, completar. O segundo nasceu de uma falta na entrada da área, que Djalminha colocou na cabeça de Cléber. E o terceiro, também de cabeça, também do Clebão, foi marcado depois de cruzamento do lateral Júnior.
Seria um pecado resumir o primeiro tempo dessa forma. O Palmeiras teve ainda mais, pelo menos, sete chances de marcar. Com direito à fila de Rivaldo na defesa santista, balaço de Luizão no travessão, além de um “quase golaço” de voleio do mesmo Luizão. E, para quem pensa que o Santos não trouxe dificuldade nenhuma ao Verdão de Vanderlei Luxemburgo, podemos relembrar um passe de calcanhar – daqueles dignos do doutor Sócrates – de Giovanni, que Jamelli desperdiçou e um chute de muito longe de Baiano, que carimbou o travessão de Velloso.
Entre os quase 15 mil torcedores no estádio, Coqueiro assistia a tudo de um lugar que havia escolhido cuidadosamente: bem diante da baliza onde o Palmeiras marcou os três gols do primeiro tempo. Torcedores de futebol frequentemente acreditam que o time esteja mal devido a alguma coisa que eles fizeram de diferente do usual. É a tal superstição. Naquele momento, Coqueiro pensou em mudar de lugar, ir lá para o outro lado do campo, para ver se a sorte do Peixe também virava. Foi melhor para ele ter se mantido no mesmo lugar...
Na volta para o segundo tempo, a equipe do Santos tentou mostrar brio para cima do Palmeiras. Mas, não era dia daqueles que usavam branco. O quarto gol dos verdes saiu de uma jogada de dois dos mais inspirados naquela tarde. Djalminha foi ao fundo e rolou para Cafu completar com um belo chute colocado no ângulo. De pênalti, o próprio Djalminha fez o quinto. E, no fim, depois de uma bela jogada de Luizão pela ponta, Rivaldo marcou mais uma vez de cabeça, completando a pescaria e garantindo o título do primeiro turno para o Palmeiras, com uma rodada de antecipação, nenhuma derrota e tendo vencido todos os clássicos.
Enquanto alguns torcedores santistas ameaçavam invadir o campo, Coqueiro deixava o estádio em silêncio, desconsolado e com uma vontade “quase-convicta” de nunca mais convidar sua amada para uma partida do Santos!
Atrás do gol onde Cléber marcou duas vezes na primeira etapa, aquela mesma meta tão próxima dos olhos do meu amigo Coqueiro, havia uma faixa colocada pela diretoria do Santos para explicar as obras na Vila Belmiro. “Estamos construindo um novo Santos.” Quem conhece um pouquinho sobre obras sabe que, muitas vezes, para construir é preciso destruir. De onde se pode concluir, então, que, naquele dia, o Palmeiras colaborou e muito para a construção de um novo Santos...
(Em tempo: o alviverde conquistou o campeonato com a melhor campanha de uma equipe na era profissional nesta competição. Na ocasião, foi campeão com 83 pontos ganhos em 90 possíveis – um índice de aproveitamento de 92,2% – e 102 gols marcados em 30 jogos realizados. Depois disto, esta marca jamais foi alcançada por qualquer outra equipe na competição.)
Santos 0 x 6 Palmeiras
Vila Belmiro (Santos)
Árbitro: Dalmo Bozzano
Gols: Rivaldo, aos cinco, e Cléber, aos 17 e aos 24 minutos do primeiro tempo; Cafu, aos 14, Djalminha, aos 38, e Rivaldo, aos 42 minutos do segundo tempo.
Santos: Gilberto; Claudemir, Batista (Gustavo), Sandro e Marcos Paulo; Gallo, Kiko (Luiz Carlos), Baiano e Marcello Passos (Macedo); Giovanni e Jamelli. Técnico: Orlando Amarelo.
Palmeiras: Velloso; Cafu (Osio), Sandro Blum, Cléber (Cláudio) e Júnior (Elivélton); Galeano, Flávio Conceição, Rivaldo e Djalminha; Muller e Luizão. Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Pô, Thiago! Essa foi covardia! Da série "Times que não se constrói mais".
ResponderExcluirNão tem nem como comentar...
Hoje é torcer por um 1/2 x 0 do Palestra!
Em tempo, agradeça à participação de seu amigo Coqueiro! Apesar de triste para ele, são lembranças fantásticas!
ResponderExcluirMuito legal! Gostaria de um dia assistir um "documentário" desse time e da sua trajetória nesse campeonato, assim como um dia assisti aquela fita, que muitos palmeirenses devem ter visto, da Libertadores de 99, (né Miguel?!) ou da Copa do Mundo de 94 (né Thiago!?)
ResponderExcluirTem coisas que deveriam ser melhores lembradas!! E um time desses é um marco para o futebol! 92,2% de aproveitamento?! Só isso já merece respeito!
Em tempo, (como diria o Miguel). Que a lembrança traga sorte ao Verdão amanhã!!
ResponderExcluirRealmente, Thales. Seria uma ótima.
ResponderExcluirSó aquela reportagem que a Band fez dos bastidores da final do Paulistão-08, já foi fantástica! Essa equipe lendária de 96 certamente merecia algo do tipo.
Outra coisa a se destacar, é que, vendo a escalação palmeirense da época, podemos apontar alguns ídolos, que marcaram época. Só que praticamente todos eles acabaram jogando por algum rival e, em alguns casos, "esquecendo" do passado. Os casos mais notáveis (que não estão nessa escalação), acredito que tenham sido de Edílson, Viola e Magrão. Jogar pelo rival já é algo complicado, mas, com a postura que estes jogadores adotaram, passa a ser desrespeito com quem já apoiou e gritou seu nome.
Hoje em dia, ter ídolos no time já é complicado. Ídolo que se identifica e respeita o clube, acima de tudo, é ainda mais raro. Por isso, no time de hoje, temos que respeitar muito o Marcos (que dispensa comentários), o Valdivia (que já recebeu propostas superiores às nossas para defender São Paulo e Corinthians), Kleber (que apesar do passado são-paulino, se sentiu desrespeitado na sua venda, no início de carreira, e hoje veste nosso manto como se tivesse nascido com ele), o Deola (que foi tão vaiado e xingado no ano passado, contra o Fluminense, por estar honrando as cores alviverde) e o Pierre (que, como foi dito, recusou proposta do Atlético-PR, mesmo sabendo que a disputa de volantes no Palestra é acirrada e ele terá que lutar muito para reconquistar o espaço). Isso, sem contar o Mestre.
São poucos os times com tantos ídolos. Apesar de não termos Adriano, Luís Fabiano ou Neymar, hoje temos craques dentro e fora de campo. Menos mídia e mais futebol! É assim que tem que ser.
Avanti Palestra!
E eu ainda ganhei o troféu "maior comentário do ano"! uhauhauha
ResponderExcluirAcho que confundi com um post...rs
Avanti Palestra!