sexta-feira, 8 de abril de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Encontramos um nove!

Nove. Goleador. Artilheiro. Matador. Homem-gol. Centroavante. Chame como quiser. O fato é que o Palmeiras acabou de contratar esse cara. Bom, pelo menos, é isso que desejamos. Esperamos ansiosamente que Wellington Paulista seja essa figura.


Em sua história, o Verdão teve alguns craques (e outros nem tanto) íntimos do gol. Heitor, Imparato, Mazzola, Vavá, Servílio, César Maluco, Evair, Edmundo, Luizão, Oséas. Vágner Love foi o último grande ícone desta lista. “Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém”, há mais de 30 anos, escreveu Belchior para Elis cantar.


Tomara que não seja bem assim. Mas, realmente, desde a conturbada saída do Atacante do Amor – e lá se vai mais de um ano! – ninguém usou a tal camisa nove. Agora ela será de Wellington Paulista. Finalmente, o Palmeiras parece ter achado um centroavante para chamar de seu. Encontramos um nove! Encontramos um nove?


Isso me faz lembrar a primeira fuga do Love, quando ele foi ganhar seus petrodólares na gélida Rússia e nos deixou a ver navios. Foi lá no meio de 2004. O Palmeiras vinha com tudo no Brasileirão. Sob o comando de Estevam Soares e com os gols de Vágner Love, havia vencido os três clássicos do campeonato até então e vinha bem na liderança do campeonato. Era só alegria. Até que cinco milhões de dólares do CSKA Moscou jogaram um balde de água fria na torcida alviverde. Em 68 jogos pelo Palmeiras, Vágner Love havia marcado 49 gols.


Foi tudo muito rápido. No dia 27 de junho, o Palmeiras venceu o São Paulo no Morumbi com dois gols dele. No jogo seguinte, contra o Paraná, o comando de ataque já tinha um novo nome.


Novo mesmo. Kahê, 21 anos, 1,87m, a cara do Shrek. Naquela tarde, sem grande brilho ele fez um dos gols da vitória fora de casa. Mas, o melhor ainda estava por vir.


Palestra Itália, noite de quarta-feira, 7 de julho de 2004. Palmeiras e Juventude. Era vencer e reassumir a liderança do campeonato. Estevam Soares apostou mais uma vez em Kahê para ser o homem-gol do time. E ele correspondeu como nunca. Aos 22 minutos do primeiro tempo, ele não alcançou o cruzamento de Pedrinho. Aos 40, ele não perdoou. Correa cobrou falta na área e Kahê Shrek se antecipou à zaga gaúcha para abrir o placar. Gol típico de centroavante cabeceador.


No segundo tempo, o Palmeiras voltou com tudo. Pressão desde o início. Mas, quem marcou primeiro foi o Juventude, com Thiago, chutando de fora da área. Era hora, então, de Kahê entrar em ação novamente. Pedrinho fez boa jogada pela direita e colocou na cabeça do grandalhão. Dois a um. Pressionando, o Palestra chegou ao terceiro gol com Correa, que cobrou uma daquelas faltas laterais que vão passando, passando, passando, não tocam em ninguém e morrem no fundo da rede.

No finzinho, ainda deu tempo de Kahê comemorar seu primeiro hat-trick no futebol profissional. Thiago Gentil tocou, Diego Souza (aquele primeiro, da Série B, não este que está no Vasco!) acertou a trave e Kahê, no rebote e de cabeça (quer um lance mais típico de centroavante que esse?) fez o terceiro dele e o quarto do Palmeiras, fechando a conta de uma noite inesquecível para o jovem atacante. Palmeiras 4, Juventude 1.

Pronto! Quem precisa de Vágner Love? Temos cinco milhões de dólares na mão e ainda nos resta um matador à altura do Artilheiro do Amor. Rei morto, rei posto. Viva Kahê! Encontramos um nove!


O mais comedido palmeirense, naquela noite, pensou algo desse tipo. Mas, como diz um amigo meu, narrador do Sportv, a euforia leva à debilidade.


Depois daquele jogo, Kahê deve ter disputado mais uma dúzia de partidas com a camisa do Palmeiras. Sabe quantos gols ele fez após aquela noite de sonho? Nenhunzinho da Silva!


Foi logo emprestado para a Ponte Preta, de onde conseguiu – Deus sabe como – uma transferência para o futebol alemão. De lá, foi ganhar seus trocados no Gençlerbirligi (nem me pergunte como se lê isso), da Turquia. Hoje joga, discretamente, no também turco Manisaspor.


Encontramos um nove?


Muita calma nessa hora!



Palmeiras 4 x 1 Juventude Palestra Itália (São Paulo)


Árbitro: Elvecio Zequetto (MS)


Auxiliares: Adnilson da Costa Pinheiro e Ivanilton Bandeira da Silveira (ambos do MS)


Gols: Kahê, aos 40 minutos do primeiro tempo; Thiago, aos 17, Kahê, aos 28, Correa, aos 36, e Kahê, aos 46 minutos do segundo tempo.


Palmeiras: Sérgio; Nen, Leonardo e Alceu; Baiano (Thiago Gentil), Correa, Magrão (Diego Souza), Élson, Pedrinho (Francis) e Lúcio; Kahê. Técnico: Estevam Soares


Juventude: Eduardo Martini; Índio (Naldo), Neto e Thiago; Jancarlos, Camazzola, Lauro (Igor), Evandro e Zé Rodolfo; Da Silva e Leonardo Manzi (Bruno). Técnico: Ivo Wortmann

3 comentários:

  1. Esta semana fiquei me perguntando sobre o que seria a coluna "Na Memória e na História", já que o Palmeiras jogaria contra o Prudente! Bela saída esta de falar do 9, Thiago! Veio em boa hora, apesar de jogar um balde bem gelado (o balde mesmo, não a água) na cabeça dos palmeirenses que ficaram eufóricos com a contratação do WP9!

    Boto fé que dará certo! Como disse, ao lado do K30, até o Alex Mineiro mandou bem. Mas, como diz o sábio: "esperar o melhor e se planejar para o pior".

    Avanti Palestra!

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  2. Jogar um balde gelado na cabeça dos palmeirense, não foi minha intenção, Miguel!

    Quando vi um Palmeiras x Grêmio Prudente tive que me virar... hehehe

    Acho o Wellington Paulista mil vezes melhor que o Kahê e confio no entrosamente dele com o Kléber. Mas, sabe como é, né? Gato escaldado...

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  3. Torcer para dar certo, boto fé! Mas é bom não se iludir!

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