sexta-feira, 18 de março de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – O Palmeiras de Alemão bate o São Caetano debaixo de muita chuva no ABC

Como todos sabem, estreia é diferente. A primeira partida de um jovem como profissional, o primeiro jogo de um campeonato importante, a primeira vez que se escreve em um blog... Não tem jeito. Sempre dá aquele friozinho na barriga... Mas, time grande passa por cima disso tudo. E o nosso Palmeiras é enorme!
Bom, o post de hoje estreia uma seção no Torcida Real Organizada: NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA! A ideia, simples e batida, é relembrar jogos do Verdão. Mas, há algo de diferente aqui: não vamos contar apenas os feitos craques consagrados e jogos épicos, marcantes, necessariamente Históricos, com H maiúsculo. Aqui, vocês farão um exercício de memória, buscando lá no fundo do baú aquele jogo do qual ninguém se recorda, aquele jogador que talvez você nem lembrasse que jogou no Palmeiras, aquele treinador folclórico, aquele gol bizarro...
Por exemplo, aproveitando que o Palmeiras joga contra o São Caetano neste domingo, vamos relembrar uma partida entre Verdão e Azulão. As mais marcantes da história talvez sejam aquelas pelas quartas de final da Copa João Havelange, quando o Brasil conheceu o São Caetano de Jair Picerni, Silvio Luiz, Claudecir, Adhemar e companhia. Azar do Palmeiras, que ficou pelo caminho daquela vez. Mas, a ideia não é essa.
Alguém aí se lembra de São Caetano 1 x 2 Palmeiras, 25 de fevereiro de 2007, Anacleto Campanella? Uma dica: caía uma chuva torrencial daquelas bem típicas das tardes paulistanas.
Eu também não me lembraria se não fosse o meu segundo dia em São Paulo, ainda sem ter lugar certo para morar, de favor na casa de uma amiga... Foi o primeiro jogo que assisti – na TV – como morador desta metrópole maluca.
Como todo bom torcedor de futebol, sou supersticioso. Então, quando começou o jogo, válido pelo Paulistão, botei na cabeça que aquele jogo definiria se eu – e o Palmeiras, é claro – teria sorte na minha nova vida. Então, vocês podem imaginar o quanto me incomodou perceber que o São Caetano, sob o comando de Dorival Júnior, sobrava no primeiro tempo.
Mas, vendo que a situação estava ficando preta (ou azul?), Deus mandou água. Muita água! No gol do Palmeiras, com a moral de quem completava 350 jogos com a nossa gloriosa camisa, Marcos reclamou do vento forte que soprava em sua meta. (Só por curiosidade, o Santo já atingiu 509 partidas pelo Palestra.)
O pedido de Marcos foi uma ordem para o árbitro Cléber Wellington Abade, que interrompeu a partida ainda no primeiro tempo. Onze minutos de paralisação. Foi o bastante para o Palmeiras – também comandado por um Júnior, o Caio – entrar no jogo.
Tecnicamente, a partida não foi lá essas coisas, não. Mas, a chuva deu um molho especial. Deixou o jogo aberto, disputado. Com um gol chorado e molhado, o Palmeiras abriu o placar aos 36 do primeiro tempo. O autor foi um centroavante vindo do Coritiba, cercado por aquela expectativa que recai sobre todo nove que chega ao Palestra Itália: acabar com a maldição que impedia os atacantes verdes de brilharem desde a saída de Vágner Love. Alemão.
Infelizmente, a relação entre Alemão e Palmeiras durou muito menos do que o esperado e acabou de forma trágica. Pouco mais de quatro meses depois, um acidente de carro na Baixada Fluminense tirou a vida do atacante de 23 anos. Pelo Palestra, Alemão fez apenas três jogos e balançou as redes uma única vez – aquela.

 

Voltando àquele domingo chuvoso no ABC, a alegria palmeirense pelo gol de Alemão não durou muito. Ainda no primeiro tempo, Canindé, de falta, empatou para o São Caetano. Mas, aos 16 minutos do segundo tempo, os palmeirenses tiveram uma amostra do repertório de um ainda semidesconhecido camisa dez, chamado Jorge Luis Valdivia Toro. O Mago fez grande jogada de velocidade e habilidade pela esquerda e tocou para trás. William, de coração renovado, fez o gol da vitória.
A partida, gravada nas estatísticas (com a internet tudo é histórico!), não significou grande coisa para o Verdão. O time, muito limitado e longe daquele que seria campeão paulista no ano seguinte, sequer conseguiu chegar às semifinais do Campeonato Paulista daquele ano. Ao contrário do São Caetano, que foi vice-campeão. Mas, para mim, aquele prélio significou muito. Significou “estrear” com o pé direito em São Paulo. O que não é pouco.

São Caetano 1 x 2 Palmeiras
Anacleto Campanella (São Caetano do Sul)
Árbitro: Cléber Wellington Abade
Assistentes: Ana Paula Oliveira e Mário Nogueira da Cruz
Gols: Alemão, aos 36 minutos, e Canindé, aos 43 do primeiro tempo. William, aos 16 do segundo tempo.
São Caetano: Luiz; Paulo Sérgio, Maurício, Thiago e Triguinho; Rafael Muçamba (Douglas), Glaydson, Canindé e Ademir Sopa (Marabá); Leandro Lima (Marcelinho) e Somália. Técnico: Dorival Júnior.
Palmeiras: Marcos; Wendel, David, Edmílson e Leandro; Pierre (Thiago Gomes), Martinez, Francis e Valdivia (Cristiano); William (Caio) e Alemão. Técnico: Caio Júnior

7 comentários:

  1. Boa, Thiago! Eu já estava quase esquecendo do Alemão...hehehe

    Bela estreia! Valeu!

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  2. Esse Leandro Lima, do São Caetano, não foi um que fez um golaço contra o Corinthians? Prometia ser um grande jogador...onde está?!! Será que ficou só na "promessa", mesmo?

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  3. Esse ficou só na promessa mesmo... Jogou até na seleção sub-20, que disputou o mundial em 2008, mas não vingou... Foi pro Porto de Portugal, mas teve problemas de documentação, suspeita de que era gato. Depois chegou a ser contratado pelo Cruzeiro, se não me engano, mas não virou nada... Hoje em dia, não sei por onde anda.
    Gostei de escrever para o blog! Já tô pensando na semana que vem!
    Abraços!

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  4. RSrsr Eu lembro do Adhemar, o cara tinha um canhão no pé! Não me lembrava que o Valdívia era dessa época já... Me parecia que ele era mais recente.

    Do Alemão eu lembrava mas não fazia ideia que ele tinha morrido.

    O Caio Junior é outro que foi promessa e sumiu também né? Ou tô errado?

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  5. Po lembrava só do Gol do Alemão...
    O único dele... Mas não lembrava de mais nada desse jogo.
    O Valdívia veio em setembro de 2006.
    O Caio Jr estava na Asia, rolou comentários que ele viria para o Atlético PR. Não sei direito.

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  6. Putz, esta história do Alemão marcou. Lembro disso...e lembro também que, mesmo nesta curta passagem (3 jogos!), ele foi mais um que carregou a responsabilidade de ser o novo camisa 9! Vejam a quanto tempo temos esse encargo! Quando teremos um 9 e um 18 no elenco?! 18 é que andam dizendo do Leandro Damião do Inter: ouvi um comentário no SporTV que ele é tão 9, tão 9, que é 18! uhauhauha

    Tem time por aí que tem Borges/Herrera/André Lima, Luís Fabiano/Fernandão/Willian José, Liedson/Willian, Zé Love/K9, Fred/Rafael Moura, Thiago Ribeiro/Wellington Pta./Farías...

    E nós penamos para ter um 9...a cada 4 anos, temos um 9 por 4 meses...

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  7. Putz! Realmente é ele! Achei o vídeo do jogo São Caetano 2x1 Corinthians, da época: http://www.youtube.com/watch?v=cmDwqlsxgkY

    Vale a pena conferir! Foi um gol inesquecível para mim! Pela beleza e por ser contra o Corinthians, decretando a virada, aos 49 do 2º tempo...comemorei d+ na época!

    Só não sei como pude me esquecer do belíssimo gol do Dimba, o 1º do São Caetano, empatando o jogo...vejam no vídeo! Gol sensacional também! uhauhauah

    Cada coisa que a gente lembra...essa coluna começou bem, Thiago! hehehe

    Abraço.

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