sexta-feira, 25 de março de 2011

NA MEMÓRIA E NA HISTÓRIA – Denílson amava a misteriosa L e Diego Souza, sem preguiça, era animal

Na tarde de 9 de março de 2008, o Palmeiras adentrava o gramado do Marcelo Stéfani (ainda Marcelo Stéfani!), em Bragança Paulista, com o moral elevado. Tudo bem, o time ainda não estava entre os quatro que iriam às semifinais do Paulistão, mas a rodada anterior tinha sido daquelas que todo torcedor adora. Vitória sobre o Corinthians, com boa entrada de Kléber – ainda em seu segundo jogo pelo Verdão – e gol de Valdivia, com direito a “chororô” pra cima do zagueiro William, que reclamava que o Mago era cai-cai. Tudo isso no derby de maior público (48.930 torcedores) neste século – e, por que não dizer?, milênio! Simplesmente perfeito.


O jogo contra o Bragantino, pela 13ª rodada do Campeonato Paulista, se desenhou como muitos outros do Palmeiras dos últimos anos. O verdadeiro torcedor palmeirense sabe do que estou falando. Com 26 minutos do primeiro tempo, eu vi a vaca no brejo, sem grandes esperanças de que ela voltasse de lá. Resumindo: aos 16, Paulinho se aproveitou de uma vacilada da zaga palmeirense – formada por Gustavo e Henrique – e tocou na saída de Marcos. 1 x 0. O segundo do Braga, não demorou. E veio de forma infantil. Ver o Marcos perder a cabeça não é necessariamente algo inédito. Mas, não a ponto de agredir um adversário. Não que ele tenha agredido neste caso. Mas, o árbitro Paulo César de Oliveira interpretou assim quando, depois de levar uma solada de Malaquias, o capitão palestrino deu um totozinho no atacante caído. Pênalti e expulsão. Vanderlei Luxemburgo, então, precisou abrir mão do artilheiro Alex Mineiro para colocar Diego Cavalieri, que não pegou o pênalti batido por Nunes (é aquele mesmo ex-Santo André, que adora fazer gol no Palmeiras).


Aos 26 minutos, o Palmeiras já perdia por 2 a 0, tinha um jogador a menos e já não contava como fazedor de gols lá na frente. O mais otimista torcedor já estava duvidando do empate. Foi aí que entrou em cena um jogador paradoxal: Diego Souza.


Quando, em janeiro de 2008, o Palmeiras anunciou a contratação de Diego Souza, minha namorada não entendeu nada. Eu vibrava em frente à TV como se houvéssemos conquistado um título. Aquele que, para mim, era o principal responsável pelo Grêmio ter chegado à final da Libertadores do ano anterior desembarcava no Palestra Itália como legítimo sucessor do animal recém-aposentado Edmundo. A sete era dele!


Mas, por que, entre tantos adjetivos possíveis, eu chamo Diego Souza de paradoxal?


Ele fazia a torcida amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. Quando entrava em campo, ninguém sabia o que esperar dele. Tanto poderia fazer um jogo genial, digno do velho Edmundo da Parmalat, como poderia ficar escondido, caminhando em campo, morto de preguiça. Com tesão, Diego Souza foi eleito o melhor jogador do Brasileirão 2009 (não concordo, embora o gol dele contra o Atlético-MG tenha sido antológico) e chegou à seleção de Dunga. Com preguiça, Diego Souza foi praticamente enxotado do Palestra Itália.


Voltando, então, àquela tarde em Bragança, o Diego que havia entrado em campo era aquele, o sucessor legítimo de Edmundo. O cara jogou muito! Já tinha obrigado Gléguer a fazer uma grande defesa, antes de dar início à reação verde, completando uma jogada de Kléber com um chute cruzado indefensável, ainda aos 36 minutos.


Logo em seguida, depois de uma falta sobre Valdivia, César Gaúcho do Bragantino foi expulso (é, naquela época o Palmeiras já tinha essa sorte). Aos 40, veio o empate. Pierre – que saudade de você, Pierre! - chutou, Gléguer rebateu e Valdivia marcou. Ainda no primeiro tempo, o time da terra da linguiça teve mais um jogador expulso e o que antes parecia impossível, na saída para o intervalo estava prestes a acontecer.


A virada não demorou. Aos 3 minutos do segundo tempo, depois de uma jogada típica de gladiador de Kléber, o lateral Leandro bateu cruzado para fazer 3 a 2. O Palmeiras ainda teve a chance de ampliar em um pênalti desperdiçado por Léo Lima, o que não chegava a ser surpresa. O volante maluco beleza fazia uma pose para bater (como dizia o Luxa, “virava a bunda pra cá, virava a bunda pra lá”) e invariavelmente chutava para o alto.


A tranquilidade no placar só veio com a entrada de um inspirado e apaixonado Denílson no lugar de Kléber. Aos 32, Valdivia deitou e rolou pra cima de Gléguer e deixou mansinha para o irreverente e veterano campeão do mundo empurrar para as redes. Tudo no Marcelo Stéfani parecia querer consagrar Denílson, que, já nos acréscimos, chutou fraquinho para o morrinho-artilheiro completar o serviço. Bragantino 2, Palmeiras – mostrando cara de time grande, campeão – 5. Nos dois gols do camisa 19, a mesma comemoração. Um L feito com os dedos. Todos queriam saber quem era a misteriosa L. Denílson fazia charminho, não contava. Chegou-se a especular que seria a ex-namorada (?) de Richarlyson, Letícia Carlos. É essa da foto aí do lado, uma moça, assim, digamos... Bom, ela foi capa da Playboy, entende?



Hoje, que Denílson virou um homem sério, podemos deduzir quem era a tal L – a filha de Francisco, Luciele di Camargo, que, cá entre nós, também é uma moça “assim, digamos”.



Bragantino 2 x 5 Palmeiras


Marcelo Stéfani (Bragança Paulista)


Árbitro: Paulo César de Oliveira
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Luís da Silva


Gols: Paulinho, aos 16 minutos, Nunes, aos 26, Diego Souza, aos 36, e Valdivia, aos 40 do primeiro tempo. Leandro, aos 3, e Denílson aos 32 e aos 46 do segundo tempo.


Bragantino: Gléguer; Da Silva, Hugo, Cris e Niander; César Gaúcho, Zeziel, André Gaspar (Mário) e Paulinho; Nunes (Rubens) e Malaquias (Adriano). Técnico: Marcelo Veiga.


Palmeiras: Marcos; Élder Granja, Gustavo, Henrique e Leandro; Pierre, Léo Lima, Diego Souza e Valdivia (Lenny); Kléber (Denílson) e Alex Mineiro (Diego Cavalieri). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Um comentário:

  1. Este jogo realmente foi histórico! Lembro de quando ter assistido, tem pensado: "jogo de time com cara de campeão!". E não deu outra!

    Por que conseguimos essa virada e, depois, o título? Valdivia era o craque do meio, mas ao lado dele tinha Diego Souza. Kleber era o craque do ataque, mas ao lado dele tinha Alex Mineiro. O adversário não tem escolha! Se marca todos de igual pra igual, os craques resolvem. Se fazem marcação dupla nos craques, sobra para quem também tem suas qualidades.

    Resumindo: precisamos de um 9 e de Lincoln também!

    Avanti Palestra!

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