sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Gabriel Silva e...?

    Com o encerramento do Campeonato Sul-Americano Sub-20 de 2011, que aconteceu no Peru, muitos jovens jogadores, até então desconhecidos, ganharam os holofotes da mídia esportiva nacional e internacional. Para fechar com chave de ouro, a Seleção Brasileira venceu o Uruguai por nada menos que 6x0 e ficou com o seu 11º título da competição, que já foi disputada 25 vezes. Um cenário extremamente promissor para o futuro do futebol brasileiro, não só pelos resultados, mas pela qualidade demonstrada em campo. Mas, e o Palmeiras? O que ganha com isso? 
Joia alviverde - a da direita...
    Único clube a representar a Seleção Brasileira com todo o seu elenco (Brasil 3x0 Uruguai, em 1965), o Palmeiras vive hoje uma realidade completamente diferente. Vamos analisar os jogadores que compuseram este elenco vencedor e quais são seus respectivos clubes:

São Paulo (5) - Bruno Uvini (z), Casemiro (m), Henrique (a), Lucas (m), Willian* (a)
Santos (4) - Alan Patrik (m), Alex Sandro (l), Danilo (l), Neymar (a)
Internacional (3) - Juan (z), Oscar (m), Romário (z)
Flamengo (2) - Diego Maurício (a), Galhardo (l)
Grêmio (2) - Fernando (m), Saimon (z)
Cruzeiro (1) - Gabriel (g)
Palmeiras (1) - Gabriel Silva (l)
Avaí (1) - Aleksander (g)
Parma (ITA) (1) - Zé Eduardo (m)

* Willian José foi convocado com jogador do Grêmio Prudente, mas durante a competição foi anunciado como reforço são-paulino.


    Além do São Paulo ser o time com mais jogadores no elenco, tem também o caso do meia Oscar, que pertence ao Internacional, mas foi revelado pelo São Paulo. Trocou de time por questões contratuais. E não se trata de quaisquer jogadores. Trata-se do zagueiro capitão (Bruno Uvini), o volante titular que assumiu a faixa após a lesão de Bruno Uvini (Casemiro), o camisa 10 titular, um dos destaques da competição (Lucas), além dos dois atacantes que se revezaram no time titular ao longo da competição (Henrique e Willian).
    No caso do Santos, além de contar com os dois laterais titulares da Seleção (Alex Sandro e Danilo), tem também um atacante que dispensa apresentações (Neymar). Para fechar, um bom meia reserva (Alan Patrik).
    Com apenas Gabriel Silva de representante alviverde, a torcida palmeirense teve que se contentar em torcer pelos jogadores dos times adversários. Além disso, Gabriel pouco atuou no campeonato, ficando na reserva do santista Alex Sandro.
     Para completar, na última quarta-feira, 16, saiu a convocação para o Sul-Americano Sub-17. Sabem quantos palmeirenses? Nenhum. Isso que foram chamados jogadores de 13 clubes diferentes, todos do Brasil: Internacional (7), Cruzeiro (4), Santos (3), São Paulo (2), Grêmio (2), Atlético-MG (1), Atlético-PR (1), Vitória (1), Corinthians (1), Coritiba (1), Fluminense (1), Vasco (1) e Flamengo (1).
    No elenco profissional atual do Palmeiras, existem 7 jogadores que subiram da base há menos de 1 ano: Fábio, Luís Felipe, Gabriel Silva, Bruno Turco, Jean, Patrik e Vinícius. Além deles, o time agora conta com os recém-promovidos Andrade e Miguel. Isto mostra que a situação vem mudando um pouco, até por necessidade financeira. O novo presidente, Arnaldo Tirone, já deu declarações de que pretende fazer, da base, uma boa fonte de jogadores de qualidade e também de renda para o clube. E já deu mostras de que pretende atuar energicamente.
    No meio da semana, o coordenador das categorias de base, Marcos Biasotto, além de dois diretores também da base, foram demitidos pelo presidente. O pensamento é "dar novos ares" à categoria. Detalhe: os 3 haviam sido contratados pelo ex-presidente Belluzzo. E convenhamos que não seria em 2 anos que a escassez de "mini-craques" seria resolvida. Uma prova de que algumas coisas mudaram no curto prazo é esse grande número de jogadores vindos da base no elenco profissional. Para quem se lembra de alguns anos atrás, não tínhamos nenhum jogador do nível de Gabriel Silva e Patrik, vindos da base, por exemplo. É pouco, mas vinha melhorando.
    Vamos torcer para que a reformulação de Tirone não seja no estilo Mustafá. PRECISAMOS de uma boa base. Nossa tradição não é essa, desde os tempos de Ademir da Guia (que, aliás, veio do Bangu). Mas, hoje em dia, isso é necessário. Que comece a mudar logo. Nossos rivais já começarão a lucrar dentro e fora de campo. E já neste Paulistão. Marcar o Lucas e o Neymar é o que nos resta, por enquanto.

    Avanti Palestra!


Um comentário:

  1. A reformulação da base tem que ser geral.
    Mudar muita coisa! Tanto em infraestrutura como relação jogador de base-palmeiras-empresários.
    Tem coisa melhorando, reformas nos CTs, construção do CT em São Roque, mas o Palmeiras ainda é muito refém de empresários.
    Também existe muita política e troca de favores no Palmeiras, onde quem chefia diversos setores são amigos/sócios ou devem favores para presidentes/vice presidentes. Seria correto haver uma profissionalização para mais atletas da base chegarem ao profissional.

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